sexta-feira, abril 22, 2011

Nuvens de probabilidade

Probabilidade. Palavra bonita, não?
Parece palavra difícil, entretanto nada mais é do que a chance de algum evento acontecer. Vem do latim: "probare", que significa testar, provar; A vida decorre disso: probabilidades. Podes substituir essa palavra por outras: sorte, azar, risco, etc. Somente dependendo do contexto em que é usada.
Cientistas tentam estabelecer fórmulas matemáticas para quantificar o quão grande é a chance de um evento acontecer. Surgem teorias. Cada nova mais precisa que a outra... Até que apareceu a Mecânica Quântica. Essa joga por terra a certeza que se tinha do desenrolar dos eventos. A confiabilidade das previsões de acontecimentos possíveis se relacionam com a certeza nos diversos eventos anteriores ao qual se esta testando e medindo nas consequências daquele evento e chegar a conclusão que tenha sentido a partir das probabilidades calculadas. No âmago da matéria existe um universo onde as coisas se desenrolam estranhamente. Um mundo de aleatoriedade. Nunca se sabe quando vai acontecer. Se sabe que vai. Se souber onde não se sabe o quanto;
Mas por que falar sobre o que é tão diminuto? Por que são os átomos com suas partes(partículas), que formam tudo. Do DNA a uma parede de concreto, De um avião ao pingo de chuva. E é falando sobre DNA, a informação da vida, de como é formada, constituída, de como se mantém e de como ela se preserva.
Uma leve brisa causada pelo bater de asas de uma borboleta no Japão é capaz de causar uma tempestade no outro lado do mundo; Frase muito conhecida daqueles que assistiram o filme que fala sobre a teoria do caos. O chamado efeito borboleta. Nada mais ilustrativo e mais verdadeiro.
Um evento praticamente inesperado(terremoto), como num jogo de dominós, causa um maremoto(tsunami), o qual além de todo o estrago e mortes, danifica um usina nuclear no Japão, a qual vaza para o meio ambiente resíduos radiativos que na verdade nada mais são que uma nuvem de probabilidades. Cada átomo do vazamento com sua "vontade" própria, desintegrando-se ao seu bel prazer, aleatoriamente. Radiação nada mais é do que partículas que são emitidas de dentro do núcleo de átomos instáveis. São esses átomos que trabalham pra gente nas usianas nucleares. Juntam-se uma quantidade suficiente desses produtos, seja urânio, plutônio, etc. e converte-se o calor produzido em movimento nas turbinas. Ora, pois, uma única particula carregada dessas choca-se com a estrutura do DNA de uma determinada célula de um indivíduo e causa a confusão nas informações sobre a constituição dessa célula. Desencadeando problemas para o funcionamento dessa célula e, como consequencia, desse organismo. Podendo até gerar tumores cancerígenos. Uma verdadeira tempestade na vida de uma pessoa, mesmo que esta esteja do outro lado do mundo. Nuvens de poeira radioativa, água contaminada com compostos radioativos, não somem da natureza. Eles estarão ai vagando por todo o tempo. Mas isso tudo depende da sorte, da aleatoriedade, das probabilidades. Perceba que não se fala do número de pessoas que desenvolverão câncer nas áreas afetadas. Isso depende da probabilidade. Do acaso.
Depois de Fukushima, certamente, está mais perigoso viver no planeta Terra.
Nos resta a certeza do imprevisível.

quinta-feira, abril 07, 2011

Sete de abril de 2011

Os simplistas dizem: Existem os normais e os "loucos".
--Loucos: portadores de perfil psicopatológicos
Não há teorias inquestionáveis sobre o que diferencia uns dos outros.
Como um pêndulo, oscilam entre as duas classes em intervalos de tempos, apesar de nem sempre em espaços de tempo precisos como esse. Ora estão de um lado, ora no centro e ora d'outro lado da realidade.
Desequilíbrio, intenção ou a soma dos dois. O que move os normais? E o que move os "loucos"?
Prazer. Muito possivelmente.
Pare e procure pensar em uma pessoa qualquer que você conheça. Você, com outras pessoas a consideram normal.
Como é a rotina diária dessa pessoa? Quais os objetivos dessa pessoa. Ela bebe? fuma? Vai ao shopping ou comércio e compra normalmente coisas que não precisa. Passa horas em frente a um tv ou computador? Sente-se sozinha mesmo quando pessoas estão ao seu entorno? executa tarefas repetitivas diariamente?
Saiba que os considerados normais e também "loucos" agem, na maior parte do tempo, de forma semelhante.
Achar um "louco" em meio a multidão pode ser uma tarefa difícil. Eles existem em numero muito reduzido. Quando aparecem a imprensa causa alarde.
Há estudos que demonstram a estranha coincidência que aponta como traços de psicopatologia tres fatores:
-Crueldade principalmente com animais.
-Piromania que o faz sentir prazer em atear fogo.
-na infãncia, e até mais de 5 anos de idade enurese que o leva a urinar na cama , seguida, normalmente, uma rejeição por algum ente querido que o despreza por esse comportamento normalmente involuntário.



domingo, fevereiro 06, 2011

Os opostos nao se atraem ...

Virtude e vício: a verdadeira batalha dentro da mente do homem.
Margareth Mead disse: “A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor”.
Eu digo que a virtude, até certo ponto, é o que nos mantém vivos. O vicio aos poucos é o que nos mata.
É na mente do homem, mais precisamente dentro do seu cérebro que acontecem as mais fantásticas trocas químicas que são responsáveis pelo que sentimos. O cerne de nossa existência como humanos passa por lá. Dor e prazer.
Todos escolhem um dos dois pra começar. Trabalhar é um oficio e representa a dor que mais tarde culminará com o prazer da vitória pelo esforços empreendidos. O vício, por outro lado, está relacionado com a idéia de perda, derrota, queda denotada socialmente pela exclusão do indivíduo viciado devido às limitações a que se impôs em consequencia do vício. Ninguém busca se não algo que o satisfaça. A busca é incessante pelo prazer em suas várias facetas.
É a busca pela recompensa. Simples assim. Quem ama quer ser amado.O prazer substitui a dor.
A quem diga que somente há cura para um vício com outro vício. Há os que digam que todos somos, em diferentes graus, viciados em alguma coisa... Então os opostos não se atraem, se anulam; Prazer pra acabar com a dor. A dor para trazer a vitória... Um aparente ciclo que nunca se acaba ...

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Corpo humano: mais um sistema complexo de vidas

Ao olhar para alguém, exceto no caso de irmãos siameses, a primeira coisa que percebe-se à primeira vista um indivíduo, unico. Uma vida individual normalmente consciente. Ora pois que a unidade é apenas uma percepção do senso comum. Cada um de nós somos muito mais que um ser vivo. Somos vários, Ainda mais: somos um sistema formado por muitos seres vivos que vivem conosco desde o dia em que nascemos até o que dia que nos aquietaremos. Além de uma quase incontável quantidade de células de cada parte de nosso corpo, carregamos conosco uma quantidade ainda maior de seres vivos, sejam esses bactérias, vírus, fungos, vermes e outros tantas criaturinhas que muitas vezes nos permitem viver adaptados à condições desfavoráveis do ambiente que nos rodeia. Por que então falar em ser se somos um sistema que na maior parte da vida vive harmoniosamente. Servimos e somos servidos e vamos levando a vida. Mas não estamos sós. Vidas nos acompanham não nos esqueçamos nunca. A vida por si só é maior que nossa própria vida. Seguimos nessa aspiral. Sim! asprial! Ciclos, se bem observados, não existem, pois se assim o fosse estaríamos sempre voltando ao mesmo lugar e momento. As aparências nos enganam. Como uma mola, continuamos aparentemente passando pelas mesmas experiências. Mas elas sempre serão novas. Cada momento é um momento, não importa o quão seja parecido com outro que já passamos.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Caixeiro Viajante, o problema.

Quando de minha mocidade nunca havia imaginado me tornar praticamente um caixeiro viajante. Desses mesmo que percorrem distâncias imensas pra levar produtos a diversos pontos de uma região; cabem parenteses aqui sobre que o produto no meu caso é o saber-fazer determinadas tarefas e o que eu vendo de certa forma é o conhecimento.
Quando se visita diversas cidades em um mesmo estado a primeira coisa que se percebe é que cada cidade é possui seu proprio universo de particularidades.
São singularides no modo de vestir, falar, comer, etc.
Ao viajar pelas estradas desse estado me vejo como alguem que olha na tela do cinema paisagens que se modificam a cada instante. A minha tela é a janela por vezes do automovel outras vezes do ônibus. Ora campos verdejantes, ora pedras que camufalan a vida que hiberna firme em talos compridos de vegetação aparentemente morta. A cana e a seca. Contrastes da mesma coisa: A vida teimosa e persistente.
Observo. Observo pessoas com seus gostos, jeitos, paixões...
O ponto comum para as pessoas em todos esse lugares é a vontade de conquistar. Uns dinheiro, outros fama, outros amor, outros admiração, companhia. O tesouro está no outro. O dinheiro compra pra gente o que é do outro e a gente admira. A fama advem exatamente do que o outro ve em nós e nao o que vemos em nós mesmos. A companhia somente de nossa consciência não é suciente. Está só é está sem valor. É essa dependência de nosso universo pessoal tem de outros universos pessoais, com seus proprios valores, que nos faz participantes de um universo mais amplo que é a vida. A busca e o encontro de nossos valores pessoais dentro do universo de valores das outras pessoas que nos faz então indivíduos felizes.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Aprender

IMHO - em minha humilde opiniao - acho que nascemos com capacidades
de movimento.
Ao movimento aqui me refiro a ida e vinda de informacoes
movimento nos dois sentidos(sujeito <-> ambiente=toda a informacao que o cerca)
perceber.
interagir.
fazer parte dessse sistema(a acao e reacao, tambem)
no fundo, ou em sintese, nao somos mais que informacoes contruidas a partir de modelos que recebemos, percebemos e modificamos

sábado, novembro 14, 2009

Twittando

Afinal o que é esse tal de twitter?
Voltando ao blog após uma ausencia desde janeiro. Viagens, Viagens.
Pretendo ficar mais presente no blog. Quanto ao Obama está evoluindo, mas ainda continua mais promessa que outra coisa. Quem sabe em 2010 se materialize alguma de suas intenções ...

domingo, janeiro 18, 2009

Obama!

Até que em fim a era Bush chega ao fim. Tudo mudará nos EUA e no mundo.
Mudará? Quem pode afirmar isso?
Obama é de outro mundo? Ele é criado sob a mesma educação e cultura que tantos outros condutores da política mundial. Por que ele faria tudo mudar como tantos sonham e tem expectativas? Como os EUA veem o mundo é como o Obama o verá.
Ele poderá ser a grande susrpesa ou grande decepção desse fim de década para toda a gente que ainda tem esperanças que os problemas do mundo possam ser resolvidos com a política.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Conceito? Há?

A adolescência, ao meu ver, é um processo pelo qual passa todo sujeito que influenciado pela mais diversas condições físico-sócio-ambientais, vivenciam mudanças no modo de se relacionar com outros. É neste momento de alterações do corpo e nível do entendimento, que o sujeito procura compreender quem é ele em si e qual o sua função no meio em que vive: desinteressa-se ou interessa-se por problemas de ordem moral e ética e, por vezes, adota ideologias ou não adota nenhuma. Alguém no passado definiu esse momento de adolescência como um tempo de tempestade e estresses. Me pergunto se não há tempestades em outras fases da vida ou também conflitos. A adolescência é então um túnel escuro onde todos tem que passar obrigatoriamente e onde há uma luz no seu fim. Pode-se ou não sair de lá mais adulto, entretanto nunca mais igual a como entrou.

Adolescência

Como uma das etapas marcantes na vida de qualquer pessoa, a adolescência apresentou-se em minha vida como um despertar de responsabilidades de cunho pessoal ou coletivo. Questionamentos e inquietações pelo porquê dos problemas da comunidade,cidade, país e do mundo como um todo. No lado pessoal, senti-me obrigado a ser e agir como os outros de mesma idade. Mas não me via um “igual”. Não me senti um transgressor. Porém não aceitava o que via na sociedade capitalista. Além disso, não gostava dos extremos direitista e esquerdista. Não lembro de gostar de imitar alguém ou algum padrão. Mas procurava uma personalidade própria. Não gostava de modismos. Nem grupos. Cumplicidade e nem segredos. No máximo um ou outro amigo, mas não muito próximo. Odiava cobranças. Sejam essas de cunho social.: ex.:Porque ainda não namorou?! Ainda não teve sua primeira noite com uma mulher?! Acho que isso, pelo menos isso, é padrão ate nos dias de hoje para o garotos. Não concordo então com generalizações de que existem fases na vida em que “coisas” tem que acontecer, apesar de que para maioria “coisas” acontecem numa certa faixa etária.

RELEMBRANÇA

A felicidade, além de dádiva, é uma condiçao que é consquistada a cada minuto de nossas vidas. Que dia a dia sejamos sábios, o suficiente, para alcançar esse grande prêmio que Deus nos concede pela razão de estarmos participando dessa dança que se chama vida!

domingo, março 26, 2006

Uma pergunta: onde estavam os protestantes da Alemanha quando da ascensão do nazismo?

O protestantismo nasceu na Alemanha com Lutero e outros, como reação às atrocidades e venda de indulgências pelo império da igreja na idade média. A Alemanha, até os dias de hoje, conserva-se dividida entre 50% de católicos e 50% de protestantes, se desconsiderarmos outros credos minoritários, agnósticos, ateus, etc.
Sabe-se que na segunda guerra foram perseguidos os judeus, assim como diversas minorias consideradas impuras, como os ciganos e os testemunhas de Jeová.
É sabido que a Igreja Católica Romana apoiara o partido nazista em 1933. Sendo traídos pelos próprios nazistas um ano depois com a proibição das atividades de comunidades católicas.
Sabe-se também que em 1937 os hitleristas procuraram dominar através da associação dos ‘Cristãos Alemães’, nazistas convictos, disposta a ‘acomodar’ as Escrituras ao credo nacional-socialista, expurgando-as de tudo que pudesse recordar o judaísmo, o anti-racismo, etc. Sob a direção de Martin Niemoller (que, em 1937, foi internado num campo de concentração), a maioria dos pastores luteranos protestou.”
Mas nada mais que protestos. Quase nada se tem em informações sobre o papel das comunidades protestantes na Alemanha por aqueles dias.
Onde estavam, então, os auto-proclamados mais esclarecidos e conhecedores da Verdade cristã?
Ei de me inteirar mais sobre esse assunto. O que me parece é que foram eles também dominados pela insensatez que permeia a alma humana quando está pobre e sem sede por liberdade.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Defendendo o realismo

Texto de 02/05/2005

Situação hipotética:

O professor segura uma esfera de chumbo. Há vários fatos a serem percebidos aí. O professor mostra para todos que a esfera tem forma. A esfera ocupa um lugar no espaço, portanto. Ela tem peso. tem cor, por causa da interação da luz sobre sua superfície. Ela pode ser mais ou menos polida ou não, etc. Esses aspectos podem facilmente serem percebidos por todos. Então diz-se que essa esfera é real. Ela existe. Mas ele demonstra que a há mais coisas que poderiam ser percebidas ou conjecturadas sobre a esfera. De que ela é formada? Seria ela feita de uma única substância? Como seria a forma de partes menores dessa esfera se observadas de um microscópio ótico? E como seria ela vista de um microscópio eletrönico se tivéssemos esse à disposição? Poderíamos fazer conjecturas, especulações sobre essa realidade por nós não observada. Criaríamos metáforas. Talvez nos aproximássemos do que realmente seriam as respostas pra tais indagações. Mas isso dependeria do nosso grau de teorização e de disponibilidade de instrumentos cada vez mais precisos para observarmos cada vez melhor a realidade da esfera. Mas a realidade da esfera está lá. Não precisamos inventar essa realidade. Nem, tampouco, diríamos que o conhecimento nasceria na esfera. Mas existiria o conhecimento sobre a esfera, sem a existência da esfera? A teoria leva a mais teoria. Isso sendo fomentado na racionalidade do ser humano, que na sede do querer saber e ter pelo menos um míninmo domínio e explicações para a realidade que o rodeia , e para sua existência, persegue a conhecer a realidade.


Meu jeito de enxergar a realidade

Texto escrito em 02/05/2005

O Realismo prega que a existência da realidade independe da nossa consciência, ou seja, a realidade existe independementemente de ser percebida por nós. O realismo crítico defende além disso, que as afirmações da Ciência, a respeito dessa realidade, são construções da mente humana. Tais construções podem ser encaradas como possuidoras de um caráter metafórico, e portanto, tendo também um elemento subjetivo. O conhecimento não é acabado, definitivo. A verdade percebida não é a verdade absoluta, mas um modelo, uma metáfora que porta semelhanças e diferenças com a realidade. Esse conhecimento é, portanto, provisório e conseqüentemente mutável.
Tomemos como exemplo da realidade existente o fato de que existem planetas extra-solares(exosolares):
Até bem pouco tempo atrás, planetas exosolares eram apenas vislumbrados como possibilidades e probabilidades matemáticas apontavam para que existissem. Foram percebidos recentemente, em cálculos matemáticos feitos por cientistas que observaram irregularidades em movimentos de estrelas não muito distantes de nosso sistema solar. Irregularidades essas que somente poderiam ser explicadas pela presença de algum corpo, até então, invisível diretamente aos instrumentos de pesquisas. Em 30 de Abril último, um desses corpos foi fotografado pela primeira vez, segundo o jornal especializado Astronomy and Astrophysics e com matéria publicada na BBC Brasil.
Conclui-se desse modo que a realidade da existência desse planeta era apenas especulativa mas que tornou-se um fato objetivo mediante uma busca científica intensa para materialização dessa realidade perseguida.
A ciência empreende uma incessante busca cujo objetivo é aproximar-se da realidade absoluta mas entende que há um limite e que não pode alcançar essa meta, o que resultará num extremo ideal que é a verdade objetiva.

O que é ciência?

A minha definição pessoal de ciência:
A palavra ciência vem do latim cientia, derivada de scire, conhecer.

Poderíamos dizer que Ciência é a tentativa ou processo dinâmico de busca do entendimento da verdadeira realidade percebida, por seres conscientes, de forma geral e de maneira sistematizada, mas que normalmente é aplicada sobretudo de modo organizado em experiência sensorial objetivamente verificável, fazendo uso da razão.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Ciência, por quê?

O homem, do nascimento até sua maturidade, passa por etapas semelhantes à história do ser humano na sua evoluçao:
Descobre o que está ao seu redor, que não está sozinho e que há fontes de prazer com os seus sentidos;
É também "apresentado" bem cedo a dor ou a algum tipo de desconforto ou privação;
É submetido aos perigos do ambiente em que vive;
Faz descobertas subjetivas sobre a realidade que o cerca;
Faz experimentações no intuito de testar aquelas pequenas descobertas, que para ele são grandiosas e, assim, descobre ainda mais coisas sobre sua realidade.

Fico maravilhado quando paro pra pensar sobre a capacidade de assimilação, memorização e criatividade que tem uma criança seja ela de qual idade for. A criança é uma investigadora. A tudo observa. Quer pegar. Para ela tudo parece ser fonte de prazer. Mas ao mesmo tempo é origem de conhecimento o qual ela precisará cada vez mais ter pra pode ir lidando com as novidades que a cada dia surgem em sua vida. Parece ser muito difícil conceituar inteligência de forma definitiva, porém não devemos negar que qualquer conceito tem que passar pela capacidade principal que faz o ser humano um ser inteligente: a competência em aprender, assimilar o que foi aprendido relacionando-o a outros conhecimentos e em seguida sendo criativo.
É a pergunta que leva o homem até a realidade.
A criança faz perguntas. É a sede do saber. E quando a respostas já não a satisfazem, ela vai em busca de suas prórpias respostas. Talvez aí, começando sua maturidade.
O senso comum está presente na ingenuidade de uma criança. Quando se busca algo além do senso comum aparece aí uma necessidade imperiosa de mais precisão nas informações. Essa necessidade leva-nos ao que chamamos comumente de ciência.
Para estar ciente e não apenas consciente da realidade que o cerca, o homem tende em não aceitar o mundo como ele é apresentado a si por contemporâneos e também por seus antepassados. Se assim não o fosse, não haveria o progresso na aquisição de conhecimento sobre tudo o que existe.
Por que um batom é um batom? Por que a lua tem fases? Por que a mulher tem suas "fases"?
Por que existe o azul, o preto ou todas as outras cores?
Como resolver algo que me aflige. E como ser rápido nisso?
Para cada resposta existe um caminho a percorrer. Nem sempre chegar a conclusões e soluções é fácil.
Se fizermos uma analogia, aquele que busca conheciento é um atleta. Há atletas que não conseguem transpor certas barreiras. Mas há um grupo especial de atletas que consegue vencer as barreiras sem grandes dificuldades. Assim são as pessoas que se dedicam a estudar a realidade que os cerca.
A ciência nasce necessariamente na pergunta e vive da inconformidade da resposta.
Buscar na ciência é tentar responder com a verdade mais precisa.
A ciência é, em sintese, a busca pela resposta.
Há ciência porque queremos a resposta verdadadeira.

sábado, janeiro 21, 2006

Inteligência Artificial

Não. Eu não estou para escrever sobre a inteligência de algo feito pelo homem.
Me refiro a artificialidade do conceito de inteligência normalmente usado no dia-a-dia.
Quando falamos sobre inteligência estamos normalmente nos referindo ao QI. Presume-se que o qanto maior o QI, maior a inteligência.
Quero me focar agora na intligência humana.
Pergunto o que é inteligência?
Antes de responder lembremos de algumas palavras que estão intimamente ligadas à inteligência:
pensamento, concepção, compreensão, discernimento, juízo, raciocínio, talento, apreensão, percepção e conhecimento, entre outras.
Comumente atribuímos a palavra inteligente a alguém que em relação a outras pessoas, ou à nós mesmos, sobressae-se em algum tipo de atividade, tarefa ou trabalho. Alguém que memoriza com grande falicilidade números, nomes, etc, ou que tem facilidades para analogias ou para matemática, litura, escrita, artes, etc, poderia com frequência ser chamada de inteligente.

Mas como pode a inteligência ser medida?
Toda medida é relativa. Não podemos medir algo sem termos uma medida padrão.
Ora, se a inteligência é uma capacidade do ser humano, somos levados a conclusão que teremos que comparar capacidades de uns humanos em relação a outros.
Mas como comparar se cada um de nós somos tão tão diferentes com relação a idade, experiências vividas, conhecimentos científicos, crenças, medos, pré-conceitos, etc?

Partamos da seguinte situação:
Um indivíduo está a caminhar de sua casa no campo ate uma determinada localidade, trajeto que o mesmo nunca fez, e encontram uma bifurcação logo adiante em seu caminho.
Qual o caminho escolher? o da direita ou o da esquerda?
Como utilizar a inteligencia nesse caso?
Numa situação nova onde é exigida uma esolha o ser humano pra o desconnhecido, somos levados procurar na memória por uma situação parecida pra poder reagir a essa nova situação. Recorremos à experiência adquirida. Mas o que nos garante que a escolha ainda assim seja a correta?
As chances de acerto são de 50%. Como ainda assim não há garantias de acerto, tentamos aumentar nossas chances recorrendo à análise de indícios que podem nos levar ao acerto na escolha. Nessa situação, por exemplo, poderíamos observar as marcas no solo feitos por automóveis ou por outras pessoas que poderiam ter passado recentemente e deixado suas marcas ou pegadas.
Havendo essas marcas, concluímos, com a ajuda da lógica, que o caminho para a cidade pode ser aquele que é utilizado com mais frequência e que portanto tem mais marcas.
Porém, ainda assim não temos certeza de acerto. No entanto, teremos que fazer a escolha.
Nós temos a capacidade de reagir a esses desafios do desconhecido usando a memória, coletando informações sobre o momento em que acontece a situação, sobre o que nos cerca













Sabe-se de antemão que os dois caminhos levam ao mesmo destino, porém a topografia por onde passa cada uma das estradas difere entre si. Nessa há um rio que deverá ser transposto à nado.
Na outra estarda há uma planície num deserto, porém esse caminho é o mais longo.

sábado, dezembro 31, 2005

Felicidade


Eu pensei que já soubesse o que é felicidade. Que espanto não foi o meu ao pesquisar na enciclopédia o termo felicidade e encontrar além do habitual significado de alegria ou sentimento de prazer, um outro que nos remete aos princípios da civilização, mais precisamente na mitologia romana. Essa nos conta que a felicidade é uma divindade alegórica, representada na figura de uma rainha em seu trono, tendo um caduceu(um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo, cuja imagem pode ser vista na taça do rei Gudea de Lagash, 2.600 anos a.C., e sobre as tábuas de pedra denominadas, na Índia, nagakals. Também é um símbolo moderno das ciências médicas e contábeis.) em uma das mãos e cornucópia (abundância dos anteriores) na outra.
Vejo nessa simbologia romana algo que muitos buscam em suas vidas até os dias de hoje.

Essa tal felicidade que, para os antigos romanos era representada pelo trono ocupado por alguém que ostentava em suas mãos os símbolos de tudo que buscamos, seriam: saúde, posses(inclusive dinheiro e poder) e a abundância desses.


Na Grécia antiga, a Demócrito de Ábdera, que só começou a ser conhecido em Atenas com Aristóteles, ocorreu o conceito de felicidade como paz da alma. O abderitano usa principalmente o termo paz interior, mas também as expressões imperturbabilidade, serenidade, impassibilidade, harmonia, equilíbrio, bem estar, calma (do mar). É possível recuar até os pitagóricos aos quais eram comuns as noções de harmonia e equilíbrio.


Então vemos que o conceito de felicidade modifica-se de acordo com o freguês. Mas podemos ver o ponto comum que é com o preencher das aspirações e necessidades que somos levados ao caminho para a felicidade.

Pesquisando encontrei um citação significativa de Jean-Jacques Rousseau:
"Tudo muda à nossa volta. Nós próprios também mudamos e ninguém pode estar certo de amar amanhã aquilo que hoje ama. É por isso que todos os nossos projectos de felicidade nesta vida são quimeras."

A felicidade pra mim é imperceptível externamente. Ela está dentro do coração(sentido figurado) do ser humano. Podemos ou não, ver sinais de sua presença. Sorrisos que podem demonstrar alegria ou contentamento, o modo de falar, o olhar de quem a efetivou, a postura, a vontade de viver, etc.
Projetar para o futuro felicidade é loucura, como diz Rousseau, mas ainda não há nada melhor que ser feliz.
Há felicidades momentâneas e coletivas, como na conqusita de uma Copa do Mundo ou do fim de uma guerra. O que era tristeza ou apreensão torna-se o mais puro e espôntaneos dos sentimentos.

Rápida e intensa como o sexo(ou esse faz parte dela?), a felicidade passa, mas a nossa busca por mais felicidade é que nos prende à vida.
A felicidade perpétua não parece estar guardada para os pobres iludidos mortais.

Na atualidade (ou isso já acontecia antes?), a felicidade é utilizada para legitimar todas as nossas ações.
Até parece que em seu nome é justo trangredir todas as normas e regras que permitem a harmonia da convivência entre os indíviduos. A felicidade individual nunca deveria sobrepujar a felicidade coletiva.
Há uma máxima que é muito ouvida por todos os cantos:"Se você é feliz, tudo bem..."


Arthur Schopenhauer escreveu:
"...
ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade ..."

Muito pelo contrário dele, penso que a felicidade depende também da convivência do indivíduo com os seus pares.
Poderia um indivíduo ser feliz em absoluta solidão?
Sozinho o ser humano encontra-se vivo, mas não vive.
Compartilhar, trocar, receber, doar são ações que inexistem na ausência de outro semelhante.
Quando alguém toma algum objeto, bem ou pertence, de alguém não é exatamente o objeto que ela quer tomar para si, mas a sua aparente felicidade representada naquele objeto, a qual ele sente que lhe está em falta.
Seria o ladrão realmente feliz?
O ladrão vai em busca do ouro de tolo. Esse nenhuma valia terá para ele. Esse ouro é a água que não sacia.
Possivelmente constatar-se-á nele uma aparente contentação que, no entanto, não tarda a desaparecer.
Já aquele do qual foi subtraído o objeto, não perderá a sua felicidade, mesmo que esse bem venha a fazer falta. Pelo contrário, essa falta será o motivador para ir em busca da substituição do bem perdido, batalhanado e conseqüentemente podendo conquistar até mais do que o precisa, o que trará para si mais felicidade.

Nenhum objeto material porta a felicidade.
Então, o que é e onde está a felicidade?
Não há frase que resuma a felicidade.
A mim parece que a felicidade consiste exatamente em haver algo desejado e degraus pra galgar e
a possibilidade de atingir esse objetivo desejado quando do fim dessa empreitada.
Vencer pequenas batalhas parecem trazer mais felicidade que vencer uma grande guerra e não ter mais pelo que batalhar.

É feliz aquele que transofrma sua realidade da forma que deseja e faz, também, feliz os que o circundam.
Ou seja, aquele que transforma a sua própria realidade tornando a si e outrem feliz e permite que os próximos a si também transformem as suas realidades da forma que desejarem fazendo outros felizes, e assim por diante, será feliz.
Novamente: a felicidade de um depende da felicidade dos outros.
Caminhar em sentido oposto a isso é procurar ser infeliz e fazer infelicidade.
A felicidade depende da entropia. Porém, essa é uma outra forma de verificar isso.
Outra: felicidade é procurar o difícil, pois o fácil já está nas mãos.
O trabalho deveria atribuir mais valor
ao indivíduo que ao que ele produz.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

A vida é uma órbita

Se fosse uma carta, queria começar essas palavras com o tradicional "Querida ..." mas mesmo em carta(que ninguém manda mais) ou e-mail, as vezes gosto de fugir do modelo previamente estabelecido. É como se eu tentasse ir contra o sentido da correnteza. Toda a gente gosta de brincar de escrever o destino. Mas nem mesmo sei se ele está escrito e, se está, resta alguma linha que podemos acrecentar nele.
O certo é que o destino prega-nos peças aqui e acolá.
Em matemática chama-se tangente a uma linha, normalmente reta que toca uma circunferência em um só ponto.
Em astronomia existem corpos que orbitam o sol, possivelmente tamb[em outras estrelas, chamados de cometas. Esses passam periodicamente próximos ao astro rei e mantêm-se perto sem tocá-lo por algum tempo de sua órbita. Mas esse tempo de aproximação é , normalmente, muito curto. Normalmente dias ou poucos meses até que sua órbita o leve pra bem longe. Sua órbita na maioria das vezes o traz de volta muito tempo, anos décadas ou até séculos, depois. Tudo depende da órbita(caminho) que esse é levado a perfazer em torno daquele.

Comparo o nosso encontro com outras pessoas durante a vida, com as coisas da matemática ou astronomia. Diferentemente da tangente que vem do infinito e toca a circunferência, seguindo infinito adiante, a órbita do cometa, sem tocar, segue o percurso de uma elipse, que ora o deixo bem próximo, ora bem distante do sol. Nem tanto a tangente, mais ao cometa que por pouco tempo pôde admirar o sol, mesmo quando esse o aquece, derrete, tira um pouco do seu ser(massa) e acrescenta mais calor a esse. Logo após, o cometa já não será tão frio.
O cometa segue, mesmo que modificado. Entretanto, já não é mais o mesmo cometa!
Somos como o cometa ou como o sol, depois do contato, ou proximidade com outras pessoas, já não somos mais os mesmos.
Cruzamo-nos nessa existência como o caminho percorrido por um cometa ou até como tangente da matemática, que chega a contactar a circunferência. Contudo, logo seguirão cada um o seu rumo. Levamos deles coisas que não esquecemos, outras que nem percebemos. Talvez veremos a vida de uma forma diferente. Melhor?
Quiçás, seja esse o sentimento de que falam os poetas, que poderemos sentir com esse tipo de aproximação.
Podemos nos arrepender de desejar certas coisas. Mas, a mim parece que não há porque arrependermo-nos de amar.

O que é a felicidade se não é fazer alguém feliz?
Não está aí a retribuição?
Não existe felicidade egoísta.
Se quem amamos também nos ama, como no Lego, o encaixe está perfeito.
Pelo pouco que experimentei, penso que a arte de viver tranqüilo está em compreendermos que nem tudo está sob o nosso controle.
Compreender a imperfeição das pessoas e a nossa, saber que somos cada um tomados por desejos e tentações, vontades de experimentar o que nunca foi a nós permitido.

Então quando a vida segue seu rumo, matenhamos a motivação para perseguir o que desejarmos e sonharmos.
Nós não somos obrigados a sermos os melhores, como pregam os capitalistas. Então, não nos cobremos o impossível, não obstante, temos que fazer o melhor que pudermos.
Se somos faxineiros, que tal procurarmos deixar tudo limpinho? Na área da justiça, obrigação de procurar a verdade. A isso chamam dedicação.
Ou seja, fazer bem feito e com consciência tranqüila.

Carinho, esperança, compreensão, paciência, etc. Coisas que o amor pode nos fornecer. Temos que cultivar isso. Não podemos buscar as coisas desse mundo como o principal obejtivo. Fama, dinheiro, sucesso profissional, etc, são importantes, mas não nos farão mais felizes se já não formos. Será que essas coisas valem a felicidade pessoal?
Valem a felicidade dos filhos?
Valem nossa prórpia felicidade?
Temos que buscar essas coisas mas para o engrandecimento de toda a criação e, conseqüentemente, do nosso ser.
Temos que ser nós mesmos.
Não devemos viver de interpretar papéis na vida. Se já nos é tão difícil ser nós mesmos, ser um outro diferente, do jeito que as pessoas querem que sejamos, ainda dá mais trabalho e nos anula.

Não nos desviemos das sabedorias que aprendemos na vida. Procuremos a verdade. Cada qual deve saber muito bem onde a procurar.

Não percamos a simpliciade de criança, mesmo que o mundo a queira mudar. Mesmo que todos desejem nos embriagar com fantasias, não podemos perder a nossa essência. Tomemos cuidado, pois, com as ilusões.
Dependendo do caminho que sigamos, quem sabe seremos o cometa voltando pra admirar o astro rei, ou a rainha...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

As diferenças entre amor e paixão

A maioria das pessoas, pelo que tenho notado, sabem bem que paixão e amor são coisas completamente distintas.
A mim não cabe a tarefa de especificar ou quantificar essa diferença.
Quero apenas tentar traçar as mais notáveis características que marcam essa diferença.
Para que o que eu disserte tenha sentido, admitiremos, em princípio, que a paixão e o amor existem.

A palavra paixão vem do termo latino passione, que queria dizer sofrimento.
Na wikipedia encontramos a definição de Paixão como um sentimento de ampliação patológica do amor. Na paixão, o enamorado projeta a sua personalidade no ser amado e se perde nele, como se aquele fosse um pedaço seu que foi embora. O acometido de paixão perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre ele. É um sentimento doloroso e patológico, porque , via de regra, o indivíduo perde a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio.
Sendo assim, a palavra paixão nos lembra martírio, o que, em suma, não parece ser uma boa ou saudável coisa.

Ao amor dá-se, desde a grécia antiga, um significado mais nobre. Ao chamar o amor de ágape(há outras palavras no grego para amor), os gregos referiam-se a um sentimento desprovido de interesse do tipo que se tem, ou se deve ter, por outra pessoa, seja pessoa amiga ou inimiga.
Comparo a uma rua de mão única.
O amor, nesse sentido, é uma ligação só de ida do presente com o futuro.
A paixão é uma rua de mão dupla: O apaixonado emite e recebe de volta o reflexo do que projetou e vê apenas o que quer ver naquela pessoa. Por isso, nesse caso, o outro nos parece perfeito.
A paixão nesse sentido é uma ligação com o presente e apenas com o presente. Ao apaixonado o que importa é o agora.

O amor é o "ser-se feliz" em outra pessoa. É ser feliz quando a outra é feliz.
O apaixonado que ser feliz e o objeto de sua felicidade é o outro.

A paixão aparece rápida como o raio que corta o céu. Na paixão o outro não pode falhar. Ele é e deve cotinuar perfeito.
O amor é construído aos poucos e continua crescendo mesmo quando os outros falhem. Há um nível de tolerância admirável.

A paixão pode ser um meio de uma pessoa conseguir algum objetivo da outra pessoa como segurança, carinho, sexo, etc
Na paixão pode-se usar o artifício de máscaras (papéis) pra que se agrade sempre o outro e não o decepcione nunca.
No amor há autênticidade, não há medo de mostrar a imperfeição.

Na paixão nem sempre as afinidades são fortes e definitivas.
Para quem ama, o relacionamento como um todo é mais importante que particularidades da relação como o sexo, saúde ou finanças, etc.

segunda-feira, novembro 28, 2005

O que quer realmente a mulher?

Reproduzo aqui um mito da idade média, que até hoje eu não conhecia, mas que a mim aparece como realidade que eu já havia percebido há algum tempo.
Recontada por Robert Johnson em seu livro Feminilidade, Perdida e Reconquistada. A questão central é a pergunta : o que realmente quer uma mulher?

" Arthur quando jovem foi apanhado caçando ilicitamente nas florestas do reino vizinho, sendo aprisionado pelo rei. Ele podia ter sido morto imediatamente, pois este era o castigo por transgredir as leis de propriedade e de posse. Mas o rei vizinho, comovido pela juventude e simpatia do rapaz, ofereceu-lhe a liberdade com a condição de que encontrasse a resposta para uma pergunta muito difícil no prazo de um ano. A pergunta: Que realmente quer a mulher? Isto atordoaria o mais sábio dos homens e parecia insuperável para o jovem. Era melhor, porém, ser enforcado, e assim Arthur voltou para casa e se pôs a perguntar a todos que encontrava no caminho. Prostituta e freira, princesa e rainha, sábio e bobo da corte, todos foram inquiridos, mas ninguém conseguiu dar uma resposta convincente. Cada um deles avisou, no entanto, que havia uma pessoa que saberia a resposta, a velha bruxa. O custo seria muito alto,pois era proverbial no reino que a velha bruxa cobrava preços exorbitantes por seus serviços.

Chegou o último dia do ano e Arthur finalmente viu-se obrigado a consultar a velha. Ela concordou em fornecer a resposta satisfatória, mas o preço deveria ser discutido primeiro. E o seu preço era casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Távola Redonda e o amigo íntimo de Arthur. O jovem fitou a velha bruxa horrorizado : ela era horrorosa, tinha um dente só, cheirava tão mal que enojaria até um bode, emitia sons obscenos e era corcunda. Enfim, a criatura mais detestável que já vira. Arthur tremeu diante da perspectiva de pedir a seu grande amigo que assumisse este terrível fardo por ele. Mas Gawain, ao saber do trato, assegurou a Arthur que isto não era pedir demais para salvar a vida de seu companheiro e ainda preservar a Távola Redonda.

O casamento foi anunciado e a velha bruxa revelou sua sabedoria infernal : "Sabe o que realmente quer a mulher ? Ela quer ser senhora de sua própria vida! Todos reconheceram na hora a grande sabedoria feminina e o Rei Arthur estava salvo. Ao ouvir a resposta, o soberano vizinho sem hesitar concedeu-lhe a liberdade.

Mas e o casamento? ! A corte toda presente, e ninguém estava mais dividido entre o alívio e a tristeza que Arthur. Gawain portou-se com cortesia, delicadeza e respeito. A velha bruxa exibia o seu pior comportamento, devorava a comida do seu prato com as mãos, emitia horrendos grunhidos e cheiros pavorosos. Até então a corte de Arthur jamais se havia sujeitado a tamanha tensão. A cortesia prevaleceu e o casamento se realizou.

Puxaremos uma cortina de prudência sobre a noite de núpcias, com exceção de um momento espantoso. Quando Gawain, preparado para o leito nupcial, esperava sua noiva, ela apareceu na forma da moça mais linda que um homem pudesse desejar! Gawain estupefato perguntou o que tinha acontecido. A moça respondeu que como Gawain a tinha tratado com gentileza, ela lhe mostraria sua aparência horrenda durante a metade do tempo e sua aparência graciosa na outra metade : qual delas ele escolhia para o dia e qual para a noite? Que pergunta mais cruel a ser colocada para um homem! Gawain fez os cálculos rapidamente. Será que ele queria uma linda jovem para mostrar durante o dia , quase todos os seus amigos a veriam, e uma bruxa horrenda à noite na privacidade do seu quarto, ou queria uma bruxa durante o dia e linda nos momentos íntimos? O nobre Gawain respondeu que preferia que sua noiva escolhesse por si mesma. Com isto, ela anunciou que seria a bela donzela para ele tanto durante o dia como de noite, já que ele demonstrara respeito por ela e concedera-lhe soberania sobre sua própria vida."

quinta-feira, novembro 17, 2005

A morte

Certo dia, dialogando com uma amiga, chegamos a um ponto da conversa do qual gostei de captuurar o seguinte trecho do diálogo:

-Há uma crendice que diz...
Se vc escutar chamarem e não for ninguém, não responda.
É a Morte lhe chamando... se vc responder, já viu...

-que ela nao atrase nem um minuto
que venha na hora certa
por que o mundo sem a morte... está morto

-exato... a morte é quem dá sentido à vida...

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Não existem duas coisas que mais inquietem a humanindade:
A vida e a morte.
As filosofias oriental e ocidental, por todos os tempos, têm tentado capturar a essência dessa certeza.

Uma Visão Chinesa de Imortalidade:

"O conceito de vida eterna não tem nada a ver com ansiedade pela vida.
A verdade é que não há morte de fato.
Como é possível não haver morte ? Porque ,na verdade, existe não duas, mas uma única energia, uma força motriz que a tudo permeia, na raiz das atividades de nossas vidas. O Grande Vácuo, que é o ponto em comum de toda vida , já existe, e a vida nasce continuamente em seu interior. Então, qual a necessidade da vida ou da morte ?
É porque o nosso desejo pelas coisas toma proporções indevidas que nos desorientamos e começamos a separar vida e morte. Se observarmos deste espaço de quietude e tranquilidade, veremos que nunca houve vida ou morte alguma. Evidentemente há apenas uma única energia fluindo e circulando. "
Do prefácio do Can Tong Qi Shuliu , 1564 ( retirado do livro " O segredo da vida eterna ")

Segundo a pesquisadora e psicoterapeuta estado-unidense
SUKIE MILLER, Os estado-unidenses na sua maioria têm uma visão confortável da morte. Mas o pós - morte não existe ou eles não pensam nele. Estão mal preparados para enfrentar o pós - morte. Ao contrário do que acontece no Brasil que, no caso do pós - morte, todos crêem em algo, sabe que algo vai acontecer e a grande maioria não acredita que tudo se encerra com a morte. Osbrasileiros, em geral, acreditam no pós - morte.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Descobrindo o Brasil no século XXI

A retórica que os professores faziam, desde meus tempos de garoto no Diocesano, de que aqui em se plantando tudo dá(ipsis leteris:"...dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!), como escreveu Pero Vaz de Caminha em carta ao rei de Portugal, parece estar sendo percebida por além mares.
Se a partir de 1500 invadiram, violentando de diversas formas, voluntária ou involuntariamente, os que aqui viviam, hoje os alienígenas oriundos dos outros continentes estão vendo, finalmente, terra firme para aqui colocarem seus investimentos.
Reportagem da BBC Brasil diz que o Brasil, hoje, é o quinto melhor lugar do mundo para fazer investimentos. Isso tudo dito por um órgão da ONU(Unctad), depois de pesquisa feita exatamente com quem de interesse, que são as empresas transnacionais e especialistas no setor.
Não é difícil descobrir porque tanto interesse despertado agora. Depois de tissunamis, terremotos e furacões, parece ser mais seguro colocar dinheiro nas terras do pau-brasil. Melhor um pouco na cueca de alguém que tudo debaixo d´água.
Claro que não foi esse o principal motivador. A bem da verdade, devemos reconhecer que a economia vai bem, pois os frutos da austeridade fiscal e econômica levada a cabo pelo atual governo parece dar certo e a campanha de propaganda do país lá fora, com todas as viagens presidenciais pelos diversos continentes, despertaram algum interesse dos estrangeiros. Finalmente eles estão com olhos voltados pra cá, descobrindo que aqui tem algo mais que boas mulatas, carnaval e futebol. Com tempo, irão descobrir coisas ainda mais úteis. Quem sabe não entraremos num novo ciclo, como o da cana-de-açucar ou do café: o ciclo do bio-combustível(álcool, óleo de mamoma, etc), menos poluente e renovável. Mas há ainda muito mais coisas interessantes pra eles decobrirem. Estarão mais felizaes se descobrirem a fórmula de ser brasileiro, que a despeito de toda a violência urbana, é amistoso e sorri de jarra e panela vazias.
Quem tem olhos e quiser ver, veja.

domingo, novembro 06, 2005

A Torre Eifel pode ruir

Já somam-se dez os dias em que violentas manifestações ocorrem na França. Jovens em sua maioria originários de ex-colônias francesas, relegados a miséria e desemprego, num dos páises ditos ricos da Europa e onde a democracia parece não estender-lhes as mãos, queimam carros, incendeiam imóveis e entram em confronto direto com a polícia. Dois jovens morrem(acidentalmente?), arrancando de dentro do ser de muitos excluídos a fúria contida por apenas assistirem os milagres econômicos vividos pelas grandes potências e que nada as oferecia, a não ser a indiferença. Viajando ao passado, veremos a opressão das potências capitalistas sobres os países da África e Ásia. Somente pra lembrarmos, no início do século vinte pouco mais de 90% do território africano e cerca de 56% do asiático encontravam-se sob o domínio de nações estrangeiras.
Para entender o que acontece na França hoje, é preciso entender o que vem acontecendo com as pessoas desses países desde há muito tempo e o que as levaram a ir para a Europa.
Não dá pra simplificar em poucas palavras, mas querendo ver ou não, é fato que ainda existe uma espécie apartheid(nome do antigo regime de segregação africano) mascarado, uma separação, que sempre foi também de classes e não apenas de cor, onde os mais fortes impõem a sua democracia às pessoas menos afortunadas, independentemente de origem. A meu ver, esse problema transcende fronteiras e está presente em praticamente todas as nações. Os pobres são empurrados pra periferia, longe dos mais belos centros cosmopolitas e metropolitanos. Longe dos olhos, são esquecidos e parecem nem existir. Maldito idealismo! Novamente a realidade aparece na explosão da bomba social.
É preciso que os governos passem, sem demora, a avaliar se as suas políticas vão atendendo a todos ou somente aos números em pranchetas de burocratas.
Temo que estejamos todos caminhando a médio prazo para uma convulsão social globalizada. Fiquemos de olho na Europa.

terça-feira, novembro 01, 2005

Amo, logo existo!

Desde que o mundo é mundo, os mais fortes dominam os mais fracos.
Me pergunto o que faz uns serem mais fortes que outros?
Noutras palavras, o que faz uns dominarem os outros?

Por toda a história houveram seres humanos que pareciam estar à frente do seu tempo.
É fácil imaginar que pouco antes do princípio da civilização os homens viviam à mercê do caos, ou seja, onde habitassem poderia ou não haver alimentos facilmente coletáveis, condições metereológicas favoráveis, animais que não oferecessem perigo à sua sobrevivência e abrigos do relento, entre outras condições de sobrevida importantes.
Podemos dizer que eles estavam entregues à suas próprias sortes. Em algum momento eis que alguém tem uma idéia que muda a sorte a seu favor. Por exemplo, a criação de algum tipo de lança de madeira, ou outro material qualquer, para poder lutar com animais com o objetivo de proteger-se desses. O indivíduo ou grupo de indivíduos que aprendessem esse artifício logicamente que ganhariam destaque sobre os demais. Esses tornar-se-iam mais importantes, por consequência. Mas aí estou imaginando um ser humano que não seria violento e que apenas estaria mais preocupado com a sua sobrevivência e a de seus descendentes. O que parece não ser toda a verdade.
Num ambiente onde as fontes de alimento tornassem-se excassas, vejo esses seres disputando entre si o que resta de suprimento. Também, quando o macho buscava a fêmea para o sexo, deve ter enfrentado a concorrencia de outros e, para se dar bem, deve ter tido a ajuda da sorte. Ter um corpo mais bem dotado, musculoso, fisicamente mais forte, portanto, conferiria, a esse, vantagem sobre os demais. Com força, sobrepujava os concorrentes por aquela fêmea que era mais atraente e estava mais próxima desse.
Então, vejo aí, pelo menos, dois "ingredientes" importantes na aquisição do poder, do destaque, da importância: a força e criatividade. Fatores genéticos, de ambiente, modo diferenciado de vida, faixa etária, etc, podem ser considerados como principais para moldar essa sorte de ser forte e criativo. Nada é igual a nada . Portanto, esses seres diferenciavam-se entre si. Tinham vidas semelhantes, porém diferenciadas e cada qual passava por experiências distintas, confereindo-lhe graus diferentes de facilidade na execução de certas tarefas.
Começa aí a acumulação de conhecimento que, logicamente, deve ter passado para as próximas gerações pela observação, prática e aperfeiçoamento.
Tenho dificuldade de imaginar em que momento formou-se um laço de afetividade entre os entes de maior parentesco, como pai, mãe e filhos. Mas deve ter sido quando da percepção de que viverem próximos ou juntos os faziam mais fortes contra as adversidades, o que implica no início da aversão à solidão.
O primeiro querer bem provavelmente foi entre o homem e sua predileta.
Ele deve a ter escolido por algum motivo. Algo ou algumas características dela deve ter chamado a sua atenção. Mas, então tudo começou na escolha dela. Uma escolha!(razão?): livre-arbítrio.


Penso, logo existo ? ou Amo, logo existo?
Me pergunto se nesse ser já havia sentimento ou era apenas razão
-Nesse momento o tópico ficou longo e, por falta de tempo devo parar por aqui. Gostaria de voltar ao assunto em breve.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Ser ou Estar?

Eitha, como será que está meu humor hoje?
Vou escrever um pouco pra ver se espanto os males. Quem canta... não! quem escreve também seu males espanta. Ou pelo menos eles vão para o papel. Corrigindo: ...vão pra o ciber-espaço...

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Diferente do que dizia o poeta, "ser ou não ser", penso, essa não é a questão.
Há escritores(Heinlein, por exemplo) que simplesmente banem o verbo ser de suas falas rápidas. Dizem que o verbo ser é o causador da maioria dos pensamentos obscuros de hoje em dia. Se tudo é transitório, por que cargas d´água insitem em usar o verbo ser?
Nada nunca foi e nem será assim como está agora.
Tudo é incerto e isso dá medo.
Como ouvi num filme: "...nem tudo é preto no branco".
As piramides estão ruindo;
As obras de arte estão se deteriorando, não importa quantas restaurações se façam. Quantas gerações mais as contemplarão?
Até nossa personalidade modifica-se irreversivelmente. Fatos acontecem e mexem consoco. E não importa a idade.
Freud preocupava-se demais com fatos relacionados ao sexo. Uma guerra, por exemplo mexe muito mais com o ser do que o sexo. Um amor também.
Algo sememlhante ao vidro estilhaçando-se quando muda de temperatura bruscamente, assim estilhaça-se o nosso ser, com mudanças bruscas em tudo que nos cerca e, principalmente, com o que nos atinge.
Mas o que nos rodeia também transforma-se lentamente e isso nos faz mudar imperceptivelmente. Nosso próprio corpo (o que mais proximo de nós está do que o corpo, veículo que nos leva pra qualquer lado e nos dá impressão de liberdade?) muda.
Então, a infância, os pais, os amigos, o clima, os amores, o sexo, os sonhos(noturnos), os sonhos(objetivos almejados), etc, contribuem pra construir o que somos nós, a cada instante, como um grande duna de areia. Mas não tarda e vem uma grande enchente e nos transporta ao estado original de pó.
Portanto, vamos estando...

quinta-feira, outubro 27, 2005

Psicologia e cura

Agradecendo à psicóloga Inês Demétrio pelos comentários sobre palavras minhas no blog. Quando eu me referi, ipsis leteris no tópico Agosto, "Psicologia... No entanto, não acredito que cure o mal de ninguém....". Enfatizando que os desvios de comportamento não são exatamente doenças. O que ela diz é perfeito, considerando a definição de doença como sendo a perda da homeostasia corporal, total ou parcial, estado este que pode cursar devido a infecções, inflamações, isquémias, modificações genéticas, sequelas de trauma(físico), hemorragias, neoplasias ou disfunções orgânicas.
Vi até uma controvérsia entre psicólogos evangélicos e laicos no que tange à cura para os homosexuais.
Vide: reprodução de carta no link abaixo:
http://www.psicologiapravoce.com.br/textopsi.asp?nr=734
Estava devendo essa menção e correção.

domingo, outubro 23, 2005

O eu exterior

Guilherme Arantes esteve aqui ontem. Show em praça pública. Não á a primeira vez que ele vem a Garanhuns, mas foi a única vez que fui vê-lo ao teclado. A apresentação foi como pensava: simples, romântica e, acima de tudo, tranqüïla em todos os aspectos. Canções que seguiram a minha vida desde os anos 80. Elas estiveram presentes nas novelas que tanto assistimos, mas mesmo as que não foram de novelas, transmitem ainda hoje mensagens que se bem ouvidas tocam o coração. A maioria delas sempre enaltecendo o lado bom de viver. Estive feliz lá.
Não sou muito de ir a shows. Não sou de idolatrar astros. Mas permito-me dizer que ele é um dos meus ídolos da música. Mesmo que seus shows não sejam mega-espetáculos. Ele faz mais o estilo de apresenções em teatro. Aprendi a ouvir suas músicas, escutando também as letras. Quiçás esteja aí a explicação para a minha admiração. A referência a ídolo quis dizer ao trabalho musical dele e também ao seu jeito simples e romântico de ser artisticamente. Nada tem haver a pessoa dele, que desconheço.
Me deparei com um senhor de mais idade. Diferente daquele jovem das capas dos Cds ou LPs de duas décadas atrás. Logo lembrei que o tempo também passou pra mim. Eu com menos cabelos, ele com já quase nenhum.
É a vida seguindo o seu curso.

Houveram dois fatos que me chamaram atenção e a todos os presentes.
O primeiro:
O jovem que no festival(concurso) de música tirou em primeiro lugar cantando uma música serteneja. Não aprecio música sertaneja, mas reconheço que ele cantou bem afinadinho. Fez por merecer os 4000 reais. Bem humilde. O fato é que ele nem havia tomado café, almoçado ou jantado no dia anterior e nem mesmo tinha o dinheiro pra poder voltar a sua cidade pra pode pegar uma roupinha melhor pra sua apresentação. Seus minutos de fama foram justos e merecidos.
Desafiou até a fome pra estar lá sonhando acordado.
Oxalá ele tenha oportunidades melhores na vida.

O segundo:
a antítese disso:
a terceira colocada, quando dos agradecimentos costumeiros que são direcionados comumente a Deus, pais, irmãos e amigos e ao público, cometeu, para mim e pra muitos dos presentes, um equívoco ao exaltar a si mesma.
Pode ter sido um descuido da inexperiência e do nervosismo ou mesmo da contrariedade de não ter atingido o objetivo por ela almejado. O que mais ou menos ela citou foi: "... quero deixar beijos e abraços pra uma das pessoas mais importantes pra mim e ,que se não fosse por ela, eu não estaria aqui: eu mesma...". Isso soa estranho não?
Levou vaias.
Fiquei imediatamente envergonhado, pois me imaginei no seu lugar e senti-me como que comentendo uma gafe daquelas, quase imperdoável. Não se pode exaltar esse nosso "eu". Penso assim!
Exteriorizar a auto-estima que, a qual temos o dever de conservar, soa o contrário da humildade. É verdade que devemos ter confiança em nós mesmos. Nos prepararmos para as batalhas da vida e saber que podemos ser capazes de vencê-las, desde que tenhamos anteriormente adquirido todos os conhecimentos e ferramentas pra executar os trabalhos que poderão nos levar a vitória. Mas a auto-estima não pode ser confundida com auto-idolatria.
A mais importante pessoa no mundo somos nós mesmos, entretanto nos reduzimos a nada sem as outras pessoas.
Não existe um 'eu" desligado do resto do mundo. Esse "eu" que chamo de "exterior" só existe na presença do outro.
Ele se funde com o nosso "eu" interior. Um não existe sem o outro.
Vejo que está fora de nós a razão do que fazemos e de nossa existência.O nosso valor vem delas e para elas deve voltar em forma de agradecimento e humildade Ninguém escreve um livro pra ler sozinho. Ninguém compra um carro novo que não seja pra mostrar a outrem. Ninguém guarda uma obra de arte para si em um porão escuro.
Pelo menos nunca conheci alguém assim. O que quero dizer é que o nosso valor quem dá são as pessoas. Precisamos inequivocamente do outro. E não adianta ser Narciso, pois estaremos fadados a definhar e morrer. Falei demais pro meu tamanho.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Conexões rompidas

Assim como produtos e costumes, há palavras que entram e saem de moda. Entre as que mais vejo citadas nos meios acadêmicos ultimamente estão: interagir, conectar, perceber, navegar e contextualizar.
No mundo que podemos chamar de cibernético, onde cada um tem ligações com outros através de celular, e-mails, telefone, fax, etc, as pessoas nunca puderam estar tão próximas estando tão distantes.
Vemos alguém aqui estando no Japão. Podemos ver e falar ao mesmo tempo. Coisa que era apenas sonho de desenho animado nos meus tempos de criança.
Mas será que isso as faz estarem mais juntas mesmo?
O telefone permite que falem, mas não necessariamente que conversem.
A necessidade de comunicar está explicíta. Pessoas de todas as idades fascinam-se com seus aparelinhos e adoram quando o telefone toca. Percebe-se que isso as faz não sentirem-se tão sós. E, de fato, isso é o que acontece.
Eu mesmo adoro me comunicar. Sou capaz de passar horas a fio no telefone ou internet até o assunto acabar.
Até onde essa distância aproximada ou essa aproximação distanciada é boa?
Nada substitui o contato físico, o olhar no olho, o calor humano ou um abraço.
Muito menos a presença, apenas, substitui a atenção, a preocupação que se deve ter com quem gostamos.
É o que se chama de carinho?!

Quando pessoas de uma mesma família reunem-se em volta da tv estão juntas ou apartadas ?
A que distância realmente estão entre si?
Tem casas com várias Tvs. Aí sim que ficam distantes. Cada qual no seu mundinho de preferências, fechado.
Conversam entre si? Contam ou se preocupam com os problemas umas das outras?
Irmãos, pais, filhos...
Ali, pertinho e nem se falam. Nem nos comerciais.
Ah ! quando falta energia parecem que falam mais!
Voltam aos seus medos interiores. Contam estórias da carochinha ou causos da infância.
Precisamos de apagões em casa. (risos)
Sugiro que apaguem as luzes. Desliguem seus os celulares e tvs. Que os pais conversem com seus filhos. Esposa olhe um pouco pra seu marido. Esqueçam uns instantinhos o homem-amante. Vá em busca do seu companheiro, seu adão. Esposos, vejam a eva que te acompanha. Esqueça essa mulher amante. Nem sempre queremos o animal que existe dentro de nós.
Há tempo para ver cada faceta do diamante. Há hora pra cada papel.
Engana-se quem diz que o amor acaba quando acaba o sexo.
O amor acaba quando nos trancamos em nós mesmos.
O problema é que as pessoas não se abrem. Esquecem de ser elas mesmas.
Abramos os portões de nossa alma. e esqueçamos os papéis de infalíveis que representamos no dia-a-dia.
O super-homem que a todos ajuda e esquece de si mesmo, que não falha nunca e nem diz coisas erradas; a super-mãe que não pode falhar em defesa dos seus filhos, mesmo quando esses já estão barbados.
ops! Pra não ser mal entendido:
Não estou sugerindo que paremos de ser ou de procurar sermos essas coisas que muitas vezes são salutares. Mas não devemos nos travestir de uma armadura que não possuímos e que não é nossa. Temos que separar um tempo nós mesmos e para os nossos mais próximos.

Excesso de conexões, ausência de uma boa conversa

As pessoas nunca falaram tanto e nunca disseram tão pouco.
Há filhos que vivem a sonhar com pais que se preocupem consigo.
Há esposas que clamam por serem atendidas., serem vistas e não apenas olhadas.
Há homens que são desejados bem longe de casa. Incrível?! mas creio que nós já vimos algo parecido!
É a atenção(dedicação) que está em falta. Cutua-se muito o eu (Narciso de novo!)
As pesssoas se acostumam tanto com as outras dentro de casa que não as percebem circulando entre elas.
Vêem mas não as exergam. Sentem a falta quando a perda vem! E, somente aí, vão perceber que já as tinham perdido há muito mais tempo.
O fim da família, eis a arma de destruição em massa mais mortal. Destrói-se cada célula e o corpo perecerá.
O silêncio mais do que nada leva ao esfacelamento das relações entre as pessoas, principalmente na família.

Passado, presente e futuro nunca estiveram tão interconectados. Pelo menos já percebe-se isso agora. Tudo que fazemos é importante. Não desprezemos os mais corriqueiros acontecimentos. Eles influenciam também os mais importantes fatos e podem ser a gota d´água que faltava em certas circunstâncias. De novo: Não esqueçamos que tudo está conectado.
Contextualizar é perceber que um fato não nasce por si só. Nem é um parto solitário, mas faz parte de todo um agrupamento de relações, humanas ou não, interconectadas, cujas ligações são importantes para que entendamos que não estamos sós e não podemos viver sós no meio de todos.
Mais do que nunca, navegar tem exatidão. Porém, no viver não há exatidão.
Em outras palavras, como já se diz há vários séculos, navegar é preciso, viver não é preciso.

domingo, outubro 16, 2005

Pecados

Virtude: Tendência para o bem.
Viturdes naturais(cardeais -platão): prudência, fortaleza(coragem), temperança(moderação) e justiça.
Virtudes sobrenaturais(Santo Agostinho): Fé, esperança e caridade(compaixão).

A virtude é a excelência de alguma coisa. Vejamos exemplos disso:

Uma boa faca é uma faca que corta bem;
Um bom remédio é aquele que cura;
Um bom veneno é aquele que mata.

Então, virtude nada tem haver com o que pode-se fazer com aquele objeto excelente. A faca é a mesma na mão do açougueiro ou do assassino. Ela não deixará de ser uma boa faca pelo tipo de uso.

Modificando - Virtude: tendência para a excelência.

Então qual seria a excelência do ser humano?

Analisando as virtudes que pode possuir o ser humano, veremos que elas estão intimamente ligadas e interdependentes. Difícil imaginar alguém que queira ser justo sem prudência.
Da mesma forma, ter força sem moderação seria um desastre. Ser justo sem ter força pra imprimir justiça? impensável.

Indo mais além, não consigo ter em mente alguém com esperança sem fé ou tendo compaixão sem esperança. A caridade sem esperança é comparável à esmola: um remédio paliativo. É ter pena do outro, mas sem vislumbrar um mínimo de horizonte e futuro para aquele.
Então, a conclusão é que ninguém pode ter uma dessas virtudes sem possuir as outras conjuntamente.
Quando nos faltam essas virtudes o que fica é o vazio, oposto. A rebeldia, que leva a transgressão. A ignorância da existência do outro, o egoísmo. Isso não é o que se chama pecado?
O pecado é o que leva a destruição do ser.
Tender para as virtudes é o que faz o ser humano seguir em frente, a construir e a construir a si mesmo.
A excelência é construir o todo. Mesmo sabendo que o que faz é muito pouco individualmente, a soma dos esforços, como na colméia de abelhas, produz "dividendos" pra todos e matém toda a espécie existindo.
Ser a si mesmo, ver no outro a sua imagem e semelhança, com fraquezas, mas capacidade de melhorar pode ser essa a excelência do homem. Deve ser.



sexta-feira, outubro 14, 2005

O referendo das almas

Eu sou contra o referendo. Nem sim, nem não. Muito pelo contrário.
Não sei porque vieram me perguntar se quero ou não o comercio de armas.
Por que não resolveram lá por Brasília? Já não pagamos pra eles decidirem as coisas pela gente? Não fui eu que inventei a república e seus modos de representatividade.
Me perguntaram se eu referendava a venda da Celpe ou Telpe (Telemar)?
Ponho em dúvida a real utilidade de tal consulta popular. Gastar mais de 250 milhões pra fazer esse tipo de eleição. Desperdício. Por que não esperaram mais um ano pra fazer junto com a a outra eleição?
O certo é que tem gente certa torcendo contra e tem gente do contra torcendo a favor. É o samba do crioulo doido. Ninguém sabe ao certo o que quer. Na verdade, ninguém sabe, parece, o que é certo.
Ambos estão certos e errados ao mesmo tempo.
Os argumentos são bonitos dos dois lados. O marketing é maravilhoso!
Vejo mulheres que nunca sonharam em pegar em armas(e nunca nem vão fazê-lo) dizendo que votam não.
No exército aprendi a matar e também aprendi que não se deve apontar pra ninguém nem mesmo com um cano de uma bota. O diabo matou a mãe assim.
Atirei de pistola, fuzil e metralhadora. Confeso: nunca senti prazer nisso. "Máquina de fazer defunto", como diz um certo apresentador de tv, é isso que a arma é. Que coisa desconfortável saber que se aprende a matar com isso. Mas e a defesa? Temos o direito da defesa. É outro paradoxo da humanindade. A mão que afaga é a mesma que estrangula.
Portar uma arma é como ter uma espada mais mortal com lâmina invisível, pronta pra perfurar o corpo de algum indivíduo causando-lhe sofrimento, dor e muitas vezes morte, com um simples apertar de gatilho. Sangue nas mãos.
Bom seria que apenas as autoridades constituídas detivéssem o poder de fogo. Seria quase ideal. Mas os bandidos foras-da-lei é que são. Como impedí-los?

Imagine a resposta de Gandhi a esse referendo...
Melhor! e o que responderia Jesus se indagado diretamente?
Acho que a resposta tá escrita.
De fato, sou contra mesmo essa indagação.
Quantas escolas faríamos com esse milhões?!
A batata quente está em nossas mãos.
Sou contra o referendo!
Independente do que escolham, os mortos vão, mesmo assim, continuar matando os outros mortos. E os vivos? esses não morrem jamais, nem por balas!

* Perdi dois amigos na minha infãncia, mortos por armas compradas legalmente. Acidente.

domingo, outubro 09, 2005

Domingo - em tempo

Não podia deixar de citar:
A semana começa com uma contagem nada boa pra humanindade. Milhares morreram na ásia(terremoto) e América Central(muita chuva).
Acidentes de causas naturais.
A gente fica até meio preocupada por que tantas coisas ruins estão acontecendo lá fora. E nós aqui, bem ou mal, vivendo.
Eles seriam piores que nós? Claro que não.
É bom pensar sobre isso e tentarmos nos colocar por alguns momentos no lugar deles. É muito sofrimento pra pessoas iguaizinhas a gente.
É isso...

Domingo

"Hoje é domingo, pé de cachimbo(ou pede cachimbo?);
O cachimbo é de barro, bate no jarro.
O jarro é de ouro, bate no touro.
O touro é valente, bate na gente.
A gente é fraca, cai no buraco.
O buraco é fundo.
Acabou-se o mundo!!!"
----------------------------
Isso não deixa de ser fonte de filosofia e das boas. Entretanto, "nonsense".
A gente aprende isso quando criança. Quantos já pararam pra ver algum sentido nisso?
Vi num blog alguém comentando sobre isso.
Achei interessante. Resolvi fazer minha abordagem do "problema".
Morri de rir quando me pus a imaginar um pé-de-cachimbo todo florido, repleto de cachimbos pendurados, fumaçando.
É assim que as coisas que aprendemos, quando mais jovens, ficam, como pré-conceitos. Nem analisamos pra ver se tem sentido ou não. Apenas repetimos.
Parece-me que o verbo pedir cai melhor aí. Como domingo também pede um almoço especial, uma companhia especial ou até um cachimbo que é ou era uma coisa dita relaxante e/ou fora da rotina.
Por que fizera-no de barro é o que me intriga. Talvez pra representar a fragilidade, o poder quebrar-se ou até a provisoriedade do tempo, das coisas.
Vejo nisso uma cadeia de acontecimentos. Causa e efeito. Determinística. Como dominós caindo um sobre o outro, até o fim.
A vida é uma sequência de fatos.
O "bater no jarro" quero associar a algo valioso ao qual podemos ser levados durante nossa vida.
Como consequência, somos levados a enfrentar o touro que é um obstáculo de grande dimensão, dotado de vontade quase própria e força termenda o qual podemos ou não controlar. Se o touro, as dificuldades, forem maiores que nós seremos levados ao buraco.
O buraco é mais embaixo. Fundo. Acabou-se o mundo! Chegamos ao fim.
Será que Bush fuma cachimbo?
(risos)
Bem, o certo é que devemos não parar. Quem sabe evitando o cachimbo não evitaríamos o touro.
Por outro lado evitando o cachimbo, como iríamos descobrir que o jarro é de ouro?
Como conhecer todas as coisas boas da vida?
Assim caminha a humanidade.
Pra aprender a andar , por vezes temos que cair. O aprendizado faz parte de todo esse processo.
Caindo damos valor a estar de pé.
Nada pior que estar cercado de cuidados excessivos, numa redoma.
Podemos aprender assim, enclausurados?
Foi por isso Buda saiu da redoma.
Jesus veio à realidade dos que sofrem ou estão indo pra o buraco, para que vissem uma outra realidade Não trancou-se em si.
Aprendendo, seremos menos fracos, quem sabe não evitemos o "buraco".
Eu disse: domingo pede cachimbo... é nonsense. Absurdo.
Muitas vezes, em qualquer coisa a gente só percebe o que quer ver.Contudo, se a gente quiser ver, vê até filosofia.

sábado, outubro 08, 2005

Solidão

Solitário: jóia com uma pedra preciosa só.
Abandonado: alguém de quem se desiste, que dar-se ao abandono.
Conclusão: solidão é o estado da pedra preciosa abandonada.

terça-feira, outubro 04, 2005

Se amar é bom, por que as pessoas sofrem?

Acho que não vou chegar a lugar algum com esse tema.
Vai ser o cachorro correndo atrás do rabo.
Coisas da emoção não devem ser analisadas com a razão pura.
A bem da verdade, o amor é umas das palavras de mais difícil definição. Algo que não é materialmente palpável, mas que podemos, com toda certeza, afirmar que sentimos, quando somos fisgados, por assim dizer, pelo cupido. Estou me referindo ao amor dos casais. Me restrinjo apenas a essa faceta do amor para poder colher algumas poucas conclusões sobre o mais importante dos sentimentos do ser humano.
Dito por muitos como o propulsor da humanindade, o amor renasce a cada dia nos corações dos jovens que chegam a sua quase maturidade, mantendo a humanidade na espiral de sua real existência. Um ser que não é capaz de amar, morto ou inerte está.
Quando os olhares se encontram, as bocas se beijam ou as mãos se tocam, mais que reações químicas que se processam, somos levados a algo mais metafísico, muito além do material. Mas o amor é algo antes mesmo disso, do toque. Estar com o ser desejado não tem metáfora que exemplifique, nem palavras que descreva, mas é algo que completa o ser. Poucos, talvez, por não muito tempo, tem a sorte de passar por tamanha experiência.
Mas o que realmente leva alguém a amar? Os hormônios?
Eu posso simpatizar por alguém, gostar muito, mas isso ainda não determina o amar.
Posso dar até a vida por outrem, mas isso não indica que o amo no sentido que estou explorando. Lembro que me atenho a o sentido amor entre duas pessoas de gênero opostos. Deixo os casos ditos "especiais" de fora dessa reflexão.
Chego a conclusão que o amor é uma religião.
Explico: na geometria dizemos que o ponto é o ponto e ponto final. Não há o que discutir. É um axioma. Dogma.
O ponto e o amor não se definem. Aceita-se a sua existência. A percepção real ou ilusória se faz sentir, sem sombra de dúvidas, por cada pessoa em cada canto do mundo. Ele muda a vida dessas pessoas. Quem tem tal experiência transforma sua vida interiramente. E não importa qual seu grau de estudos, de QI ou de percepção de realidade.
É uma mágica que acontece e nos move para o "céu" ou para a ruína.
O fato é que quem ama tem uma perda parcial da razão. Se não, por que então pessoas tomam atitudes inimagináveis?
Pessoas viajam milhares de quilômetros só pra verem outra por um curto espaço tempo, às vezes apenas horas.
Ou então, esperam dias intermináveis, por vezes anos, a volta daquele que, inexplicavelmente, escolheram como seu amado ou amada.

Sofrimento

Em minha humilde opinião(IMHO), penso que o homem(e mulher) vive a maior parte de seu tempo em busca de saciar seus interesses. Se há algo que o interessa, sendo de seu alcance, corre atrás, vai à luta. Não é o sexo ou o poder que move o homem, como já disseram, mas os interesses ou necesidades de quaisquer espécies. A necessidade pode ser o sexo, o poder, etc. Mas, e se é o amor?
Algumas vezes buscamos ambrósia, aquilo que sacia os deuses. Quero dizer que procuramos sempre essa completude e se não a encontramos, não demora e construimos algo do nada para nos saciar.
O que chamam de carência(não-material) é exatamente essa sensação de vazio ou de falta de completude.
Ora, se em terreno fértil nasce as melhores videiras, mas também as piores ervas, no momento que esperamos encontrar a pessoa perfeita que preencha todos os nossos anseios, a vontade é tanta que somos enganados pelos sentidos e, percebendo ou não, moldamos na pessoa "encontrada" vestes de um semi-deus. Daí, tudo nele nos agrada. E, ai daquele que quiser nos apontar seus defeitos! Esse, defeituoso será.
Não quis dizer que é impossível encontrar a pessoa que nos complete, mas ela estará longe da perfeição.
Podemos fugir da realidade, mas não para sempre. Ao passar-se do que é sonho ao real, do escuro ao claro, do frio ao quente, etc, há um embate. Cair na realidade depois de haver sonhado com o que é agradável aos sentidos, mas que na verdade não é real causa-nos um choque e isso nos traz sofrimento. A desilusão dói. E eis que o vazio agora parece maior.

A perda do quê tivemos, ou do quê nunca tivemos e que pensamos possuíamos, causa-nos sofrimento.
Essa realidade tão tardia e crua, como faço pra a deglutir?
O sofrimento é útil. É um aprendizado. Aquilo que não mata, fortalece, já disse Nietzsche. Então, concordando, é preciso reconstruir a partir das ruínas.
As pessoas sofrem também por não serem felizes para sempre.
Como as ondas, que vão e vem na praia, assim é a felicidade. Só é preciso sentir o tempo certo pra aproveitar e não disperdiçar as chances, mesmo que tenhamos que acordar em algum momento.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Inquéritos

Não gosto de comentar sobre política, mas de uma forma ou de outra somos políticos. Há coisas que vejo e não consigo ficar calado, impassível
De mensalão, mensalinho, apitão e tantos outros escândalos, está vivendo o Brasil. O interessante é que ninguém percebe o que é mais óbvio.

Ficamos surpresos hoje em dia com tantas denúncias de corrupção. Parece que levantaram o tapete que há tempos era usado pra colocar por debaixo o lixo da política, o qual todos faziam questão de não enxergar. Mas será que a corrupção aumentou mesmo ou nós é que estamos querendo vê-la finalmente. Tiraram a venda dos olhos da população. Viva! Contudo, olhe bem dos lados. Será que somente em Brasilília é que estão os que nos enganam?
E de onde vieram esses ladrões?

Isso mesmo! Da sociedade brasileira.
Eles não só estão roubando dinheiro do povo, estão roubando nossa confiança, nossa esperança.
Pomo-nos a achar que são todos farinha do mesmo saco.
Só para lembrar: eles são uma pequena amostragem do que temos em nosso meio.
A crise a meu ver, não é do político especialmente, mas do brasileiro. Não que o brasileiro seja mais ou menos corrupto que os outros povos. Mas estou agora referindo-me ao Brasil.
A crise vem do berço. É a crise do jeitinho brasileiro que personifica-se na vantagem. Todos sempre querem tirar vantagem. Essa é a filosofia corrente. Se a ética, os costumes, cultura e a educação não forem continuamente mudados pra melhor, não importa quantas assembléias, congressos e presidentes elejamos, sempre trocaremos 6 por meia-dúzia. Pensemos nisso.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Fidelidade e lealdade

Fidelidade

Apesar de aparecerem como sinônimos em dicionário, penso que a fidelidade e a lealdade para mim têm significados diferentes.
Fidelidade está mais próxima de dedicação constante e exclusiva para alguém. Nesse caso, é um ato positivo, quando vem como uma reação para um sentimento semelhante, uma resposta natural involutária, tornando-se assim ação mútua.
Por outro lado, quando a fidelidade é perseguida como uma dívida a pagar, cobrada por uma ou ambas as partes envolvidas, pode tornar-se um sacrifício. Oprimir o outro exigindo desse a perfeição, quando sabemos que nós não somos perfeitos, é incoerente.
Comumente, homens e mulheres cobram-se um do outro fidelidade, mas esquecem que a fidelidade é como o alcóol derramado sobre a mesa. Tende a evaporar com o tempo. Mais rápido quanto mais calor. Há quem diga que a fidelidade é utópica. Estou por acreditar nisso. Exprimo minha opinião.
Quem, mortal, dedica-se exclusivamente ao outro, amado ou não, com completo despredimento de si mesmo? Isso o levaria a uma auto-flagelação ou um negação do seu eu.
Pode alguém amar duas pessoas simultaneamente?
Palavras de dezenas de séculos atrás já nos diziam que é difícil ter dois patrões. Dedica-se melhor a um patrão, desprezando ao outro ou vice-e-versa.
Dedicar-se com a razão a um e ao outro com paixão?

Lealdade
Já à lealdade defino, simplesmente, como sinceridade. Pode-se ser sincero sobre infidelidade. O leal expõe sua realidade. Não esconde-se em vestes que, de outro modo, o camuflariam. Não engana a si mesmo, conseqüentemente não aos outros.
Assim, pior que a infidelidade é a deslealdade. É o parecer-se cordeiro, sendo lobo.

Sinceridade interior
Há quem crie mentiras e termina por dar crédito às mesmas.
Podemos viver sem buscar a verdade?
Usar da sinceridade para trilhar no caminho que leva ao que é real, tão sonhado pelos platônicos.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Ontem, um dia escuro

Acordei cedo da manhã, sem sono. Ainda madrugada mesmo. Não sei o motivo que me tirou do relaxamento.
Estava aturdido e não sabia o porquê. Algo de ruim acontecera, pensei. O dia mal começara. Logo por volta das 8 da manhã soube da esperada, mas não pra já, morte de um amigo querido. Gostávamos de conversar. Ele de outra geração adiante da minha. O tempo, para ele, passou . Foi chegada a hora de partir. Partiu sem querer, mas foi. Seguiu o seu caminho como as aves seguem também o seu na mudança de estações. Um homem que procurou ser bom no que fazia.
mas era um homem, como eu. Apenas um homem, mortal.
Começava o dia escuro. O sol brilhava por certo. Mas como toda segunda, maldita segunda. O ciclo do trabalho que não acaba. Mas, se o dia ficou escuro assim, a noite se fez mais clara, apesar de tenebrosa.
As fichas caíram. E cadê o sono que não vem? Ele virá. Tudo passa. Mas o sono finalmente vem. O sono e o descanso...

O amor e o idealismo

É mentira que somente as mulheres buscam um ser encantado. Os homens também esperam encontrar a mais querida dentre todas. Uma princesa? não! uma rainha! Aquela que dentre todas seja perfeita (sabe ele que não há perfeição). Aquela que o completa.
Falha da matemática, quando um mais um não são dois, mas um, indivisível. Absurdo para qual os amantes têm explicação.
Mas como não se enganar, se traz dentro de si a imagem da rainha. Indefinível.
Mas há que ter cuidado quando essa imagem é idealização. Projeta-se na pessoa errada, na hora errada, no lugar errado a imagem perfeita. E o que vemos não é o que deveríamos ver.O embriagar do ser ideal. O sonho, a ilusão.
O realismo atropelado pela idéia do ser perfeito e puro, da mulher intocada, devassa. A mãe dos filhos e a mãe de todos os filhos da mãe.
Por que o erro? Por que a dúvida? Por que o medo?
O erro traz a dúvida. A dúvida o medo.
Como seria bom ter certeza de tudo! Querer tudo simples.
Por sorte, o idealismo não resiste à realidade nua.
O ignorante é mais feliz? Sua inocência o salva do sofrimento?
Sim e não!
Com a rainha morta, a verdade está posta!
Acordado... e o que era verdade então?

domingo, setembro 25, 2005

O gatinho e a evolução da espécie

Eu havia falado do gatinho em cima do teto há meses atrás e não quis ou não pude concluir meu raciocínio o que tentarei fazê-lo agora:
Quando estudamos biologia (mais adiante chego no gato) somos apresentados às teorias que tentam explicar desde há muito tempo a origem de tudo que há, incluindo a vida. Aristóteles, usando apenas do raciocínio lógico, havia proposto que a vida surgiria, além dos cruzamentos entre seres da mesma espécie, de matéria bruta A tal chamada de abiogênese, geração espontênea. Grandes estudiosos da sua época e até bem pouco tempo atrás acreditavam que, por exemplo, moscas nasciam de cadáveres em decomposição ou que do pó de cobra nasciam várias cobras. Isso foi aceito, até que sábios em meados do milenio passado procuraram outras explicações através de metódos científicos. Coube a Louis Pasteur dá o golpe final na abiogênese A pasteurização provara que não haveria geração espôntanea de microorganismos em materia orgânica mesmo que exposta ao ar.
Desmentida essa idéia, passa-se a acreditar que toda vida surge invariavelmente de outra vida. Mas aí, cabe a pergunta: de onde originou-se o primeiro ser vivo?
E o que tem haver isso com o gato?
Bem, a teoria de origem aceita hoje nos leva a crer que nada surge do nada.Tudo que vemos na natureza é resultado de progressos sucessivos. O que nos parece surgir rapidamente, mas estruturas complexas surgem aos poucos, construídas passo-a-passo por processos lentos. Nem mesmo nossas idéias surgem do nada!
Ora, se nada surge do nada, o dito instinto animal surge de um processo de aprendizado de espécies durante sua evolução na face do planeta terra. Mas como se dá esse aprendizado? e como isso vai parar no código genético da espécie?
Podemos fazer um macaco aprender várias tarefas, mas seus descendentes nada saberão sobre o que lhe foi ensinado. Então, como o gatinho sabe que do teto da casa é alto demais pra ele tentar a empreitada de pular?
De alguma forma há um inteligência ainda maior que a "inteligência" que regula os seus atos instintivos e que coleta informações do ambiente onde uma dada espécie de animais vive e leva essas informações importantes a serem gravadas em seu código genético. Como consequência, ele nasce sabendo disso. E, essa inteligência, a que eu chamerei subliminar, independe do sistema nervoso, posto que, por exemplo, as plantas também, seguindo esse raciocínio, possuem tal inteligência em sua espécie. Se não, como poderiam ser bonitas para atrair os insetos que a ajudarão a espalhar seu pólen?! A espécie se modificou pra isso, por certo. Ou será que essa modificação somente se deveu a seleção de espécies, que em uma dado momento permitiu apenas àquelas que atraissem os insetos e, portanto, tendo sucesso em espalhar sua descendencia, sobreviveu pra chegar até os nossos dias e as outras padeceram por seu fracaso ou falta de sorte em fazer a mesma coisa por não serem tão atrativas.
Não posso aceitar, então, que apenas uma resposta exista a essas inquisições. Somente mutações espôtaneas ou aleatórias e acidentais não parecem esclarecer tudo isso. Pois, achar que haviam animais anteriores à especie do gatinho que tinham noção do perigo ligado à sua sobrevivência e outros que não a tinham. Os primeiros sobreviveram e os ultimos extiguiram-se.
Como não sou cientista, e tudo que escrevo aqui são meras especulações (apenas divago em mim mesmo sobre isso) as quais devo continuar a procurar respostas no que dizem os cientistas atual e futuramente sobre tais e quais assuntos que me intrigam, sigo a não aceitar apenas aquela explicação que diz é apenas o instinto.
E o que é o instinto então?
Passo a chamar aqui, então, instinto a informações adquiridas por uma espécie de ser vivo, num aprendizado inconsciente, progressivo e positivo que chamo de Inteligência Subliminar, até que encontre resposta, já existente, melhor que essa.
Melhor ir estudar que essa semana há provas.
(qualquer absurdo por ventura constante nesses meus pensamentos de hoje, futuramente poderão ser corrigidos).
(claudiocaetano336@hotmail.com)

domingo, agosto 07, 2005

Outros textos do Orkut

Comunidade Teoria do Caos
Esclarecimentos sobre a Teoria do Caos
27/7/2005 12:50
Na verdade, o filme Efeito Borboleta não trabalha a teoria do caos, cientificamente falando. No início do filme até há uma frase que se refere à teoria do caos. No entanto, a única lição que podemos tomar é que as mínimas coisas, os menores e menos valorizados acontecimentos podem ou não ter peso nos acontecimentos futuros. Ou seja, tudo é importante. É preciso saber muito bem que tudo que acontece se desenrola em uma rede de acontecimentos interconectados e que não podemos desperezar nem mesmo o bater de asas de uma borboleta como variável influente em acontecimentos futuros.
Falar em voltar ao passado é apenas devaneio pois não há nada que valide ou invalide essa possibilidade.

Reflexões no Orkut

Textos que Postei no Orkut na comunidade Paradoxo
Resposta do Paradoxo: Destino X Livre-Arbítrio
Deus joga dados? 28/4/2005 21:00
Se supusermos a existência de destino, temos que levar em conta a existência de quem o criou. Supondo que Deus tenha criado o destino:
Em minha infinita ignorância, eu creio que Deus não joga dados, mas nos dá os dados pra jogar.
Se o destino existisse, Deus seria o espectador do filme que ele já havia escrito. Você gosta de assitir um filme sabendo do começo, meio e fim? Eu não!
Prever o futuro 12/5/2005 20:30
É exatamente esse o sonho da ciência e da mística: prever o futuro. Estudar um pêndulo nos leva a prever como esse vai se comportar em dada situação. Prever o futuro dele. O problema de prever o futuro a longo prazo é que essa situação nos leva a quantidade de varíaveis instáveis enorme. Número que estará mais próximo do infinito quando mais tempo à frente queremos prever o futuro. A evolução da ciência nos leva cada vez mais a prever alguns eventos e com mais precisão, mas nunca com precisão absoluta. O gostoso da brincadeira não é prever, mas mudá-lo ao nosso benefício. A determinística funciona na teoria, na prática o caos não a deixa atuar.

Agosto

Recomeço de aulas. Nunca tiro férias. Só dos estudos. Passei quase 20 anos de "férias" dos estudos, e quando volto, mais férias... Confesso que não quereria férias, desde que os estudos não me pressionem muito. Inevitável. Foram boas, então. Mas confesso que as noites ficaram vazias. Segundo período. Vamos lá! Se foram as filosofias, mas vem a Lógica, a Trigonometria, os axiomas, que me perseguirão. Mas estou gostando. Ah! agora terei uma introdução à Psicologia Evolutiva.
Por falar em psicologia, acho que ela ajuda as pessoas a compreenderem a si mesmas e as outras pessoas. No entanto, não acredito que cure o mal de ninguém. Tem muita mística mesclada na psicologia hoje em dia. Mas as pessoas são místicas, não é mesmo? Cada pessoa é um universo à parte. Então, cada caso é um caso. O remédio de um não serve pra outro. A psicologia não é uma saída pra o problema de todo o mundo. Pelo menos nos mostra alguma porta ou esperança. Digamos que hoje, ainda sem conhecer muito bem o que é a psicologia, me baseando no que vi e ouvi até hoje, interpreto a psicologia, me refiro as suas terapias, como um espelho com o qual as pessoas podem ver-se refletidas. Se não o são, deveriam o ser. Há pessoas, talvez todas, que estão presas aos seus cotidianos e a sua rotina e fazem coisas sem mesmo refletirem sobre o que elas significam ou com que objetivos as fazem. Em minha opinião, devemos fazer tudo com metas. Mas por vezes nos escravizamos sem perceber e quando percebemos às vezes é tarde. Contudo, enquanto há vida há uma porta, uma esperança. Se algo nos ajuda a nos libertarmos principalmente de nós mesmos, então creio que isso é bom. Mas libertar não para fugir, mas para termos os controles, as rédeas da vida. Fazermos coisas comedidas e não apenas por impulso. Mas quero crer que não devo levar em consideração tudo que a psicologia me disser. Ela é um ramo de ciência que está engatinhando. Há muita coisa por aprender sobre o ser humano e o que o leva a tomar certas atitudes. Cada pessoa porta seu universo pessoal. A atividade do pensamento humano é meio-previsível, meio-caótico. Indecifrável em sua totalidade, portanto. Depois eu volto ao gatinho...

sexta-feira, maio 27, 2005

Vivo

Não é propaganda de celular. Dou sinal de vida.
Depois de um "longo e tenebroso inverno", eis que estou aqui, voltando a postar.
Confesso que não consigo ser assíduo no blog, como gostaria. Era de meu desejo relatar aqui todos os meus mais consideráveis momentos. Como um diário. Mas, outra vez, confirmo oq eu já sabia: não sou disciplinado pra essas coisas. Ganhei Honra ao Mérito do Exército Brasileiro, quando na oportunidade que tive de servir à naçao assim como exigia a lei de então. Lá, disciplina tive, `a força. Mas é a outro tipo de disciplina a que me refiro agora.
Vejo essa disciplina do escrever paulatinamente, como algo que não me deixa livre. E, por aquilo que me prende não tomo gosto. Detenho-me, então, a escrever quando puder e der vontade. Como hoje, por exemplo.
Algo me fez parar pra pensar.(é besteira, eu sei!):
Quem disse pro gatinho não pular do telhado?
Um certo dia, estive observando um gatinho que havia chegado ao lugar mais alto do telahdo de uma casa. Ele miava, como que pedindo ajuda. Porém, não pulou. Parecia que tinha consciência da realidade. Como que soubesse dimensionar a altura que o separava do solo. Pus-me a pensar sobre se um bebê teria a mesma "consciência". É claro que não! Ele aprenderá isso mais à frente. Contudo, no caso do gatinho, quase bebezinho, não há que o diga e nem mesmo ele poderia aprender na prática pois esse aprendizado poderia custar-lhe a vida ou ser caro demais. Alguém diz: é o instinto! Mas dizer que é o instinto é simplificar e fugir de uma solução lógica pra meu questionamento. No proximo post pretendo me alongar nessa questão e quiçás encontrar uma resposta pra mim mesmo. quiçás... agora vou almoçar.