quinta-feira, abril 07, 2016

A Nudez e a Vergonha

Até bem pouco tempo eu não sabia que os soldados espartanos combatiam nus(Esparta: aquela cidade da grécia antiga).
Cerimônias sagradas eram efetuadas com todos os homens nus. Uma maneira de garantir que não haviam mulheres presentes durante as celebrações dos jogos olímpicos.
Ora, ora: a palavra ginásio significa local de nudez, veja só isso!
Até o oitavo século depois de cristo, batizam com o sujeito nu imerso em água, simbolizando um novo nascimento. E não é mesmo assim que nascemos? Nus dos pés à cabeça!
O corpo nu nem é bom nem ruim. Depende da cabeça de quem pratica e de quem o observa.
Em algumas partes da bíblia cristã registra-se que apóstolos pregaram nus.
A vergonha, como sentimento, é complexa de definir-se. É como sentido de culpa. Mas culpa de quê? Do ser finito, do acabar-se em si, ser limitado e imperfeito.
A pior vergonha é a vergonha de si mesmo. Pois esta não tem razão de ser.
Quando falhamos em uma tarefa que achávamos que nunca falharíamos, sentimos culpa.Isso acontece porque descobrimos nossos limites de ser humano.
Quando criança, cada um é cobrado a ser perfeito. Portanto quase deuses. Envergonha-nos descobrir que não. Enquanto mortais,  imperfeitos seremos durante toda nossa existência.
Quem sabe reconhecendo esse fato poderemos lidar melhor com nossas fraquezas e assim podendo contornar mais rapidamente as incapacidades que nós mesmos nos imputamos.
 Nunca seremos o que gostaríamos de verdadeiramente ser. Isso causa-nos sofrimento.
Quando todos são nus, ninguém está nu.
Portanto, não nos devemos envergonhar de nós mesmos, pois cada qual tem suas vergonhas.



terça-feira, março 22, 2016

O contraditório

audiatur et altera pars - ouçamos a outra parte
 Princípio fundamental de sociedades democráticas atuais, o contraditório é nada mais que o direito de alguém que é acusado expressar sua versão para fatos que decorreram para sua acusação. 
Não existisse o contraditório, estaríamos como na inquisição onde as pessoas eram condenadas sem o direito de defender-se, expor suas provas e nem mesmo de saber do que estavam sendo acusadas. Seria a ditadura do judiciário, onde lobos estariam disfarçados de ovelha com suas togas e não peles de cordeiro.


  

quinta-feira, dezembro 24, 2015

A verdade, a mentira e a ignorância

Quando nos olhamos no espelho nem sempre nos reconhecemos.
Assim como, quando ouvimos nossa voz gravada, ela nos soa estranha, como se não fosse a nossa própria voz. Já pensou se pudéssemos ver a nossa alma? Ver aquilo que somos de verdade?
Verificar, tal qual os que nos cercam veem e sentem tudo que sai de nós? Se há alguém que verdadeiramente conhece a si mesmo, deve ter ficado perplexo. Julgamos que nos conhecemos, mas sempre fazemos avaliações de tudo que vemos e vivemos. Avaliações são sempre incompletas. Dessa forma, é sempre inválido representar o que somos. Quando a vida nos dá um  tapa, nos confronta com realidade e nos diz um pouco mais daquilo que somos.

terça-feira, novembro 10, 2015

O Simples e o Complexo

O complexo é nada mais que a arrumação intrincada de muitas simplicidades.
Cita-se que Aristóteles tenha dito: "O bom é simples; o mau é complexo".

Ser feliz é simples, Estar triste é complexo.
Em verdade, o simples é o que entende-se, compreende-se.
O complexo está para coisas mais distantes do nosso entendimento, parecendo incompreensíveis.
Compreender o complexo é estudar a infinidade de simplicidades presentes naquele todo.
Focar em apenas um área do conhecimento a nós isola o pensamento.
E todo o resto parece-nos complexo. É como olhar a ponta do nariz e desejar enxergar todo o horizonte.
Nada acontece isoladamente do resto do mundo. Contextualizar o simples, as coisas do cotidiano, é enxergar a nós mesmos imersos na complexidade da vida. Nascer é simples. Morrer é simples.
O que gostamos de complicar mesmo é a vida.


domingo, setembro 13, 2015

A Caminho da Liberdade

Como água em uma cachoeira, torrentes de pensamentos das filosofias sempre caem sobre a liberdade.
  Pensar é exercer a liberdade.
 Ora taxa-se a liberdade positiva, ora negativamente.
  Famosos pensadores discorreram sobre a liberdade:

"O homem é nada antes de definir-se como algo, e é absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo." J-P Sartre(século XX)
Para Sartre a liberdade era absoluta ou não existia.

Já para Schopenhauer(século XVIII), o  homem, objeto entre objetos, coisa entre coisas, não possui liberdade de ação porque não é livre para deliberar sobre sua vontade. Para ele o homem não escolhe o que deseja, o que quer. Logo, não é livre.

"Se as pessoas são privadas de suas próprias condições materiais de existência, ou seja, se suas condições práticas de existir são propriedade privada (de outra pessoa, portanto), não haverá verdadeira liberdade." Karl Marx(século XIX)

René Descartes (século XVI), achava que age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem a escolha. Então quem estava mais bem informado sobre o significado das alternativas tinha mais liberdade de escolha.

Antigamente (hoje em dia ainda?) ser livre era o resultado de batalhas e de imposição de vontades e justiças.


Immanuel Kant achava que é difícil sozinho o homem deixar a menoridade, pois ela é a sua segunda natureza, já que é enganado pelas crenças, tradições e opiniões alheias, deixando de seguir a sua própria razão. Assim, não podendo experimentar a liberdade. Sair da menoridade é tomar suas próprias decisões.  Deixar a menoridade é não permitir que reinem a preguiça, covardia e o comodismo.



terça-feira, agosto 25, 2015

Medíocre

 Os sábios buscam a verdade, os medíocres gostam de fatos, os cretinos falam de si”.(Aristóteles III a.C.)

domingo, agosto 23, 2015

O Bom Ladrão

Trecho do Sermão escrito em 1655, por Padre Antônio Vieira, proferido perante D. João XIV e sua corte, aleḿ de ministros, juízes e conselheiros(Lisboa):


"Levarem os reis consigo ao paraíso os ladrões, não só não é companhia indecente, mas ação tão gloriosa e verdadeiramente real, que com ela coroou e provou o mesmo Cristo a verdade do seu reinado, tanto que admitiu na cruz o título de rei.
Mas o que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levaram consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno."






Em outro trecho do mesmo sermão cita passagem histórica ocorrida com Alexandre Magno, O Grande(356 a.C.) :


"Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício: porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres."




Para pensar.






terça-feira, agosto 11, 2015

Cuspir no prato que comeu - ingratidão

A cada momento na vida ganhamos e perdemos coisas, amigos, amores, etc.
A vida é uma troca; pedaços nossos vão ficando pelo caminho.
Vamos ganhando outros pedaços.
Nesse meio-tempo é bem comum, talvez normal, que na inevitabilidade da perda de algo que gostamos, apreciamos ou necessitamos, tenhamos que, inconscientemente, talvez, depreciar para diminuir o "sofrimento" a que tenhamos que passar.
Perder nunca é bom.
Entendamos que a perda nunca acontece por nossa vontade.
A ação contrária à perda é o descarte, o qual traz satisfação.
Quando somos privados de alguma coisa que possuímos, como que por defesa própria, exaltamos os defeitos daquilo ou daquele, em contraposicao de suas qualidades.
Assim, o que admirávamos, que olhávamos com carinho, agora já não nos agrada mais. Cometemos essa desfaçatez.
Fizemos assim com o amor que nos traiu, com o tv que quebrou, com o emprego que não temos mais, etc.
Desdenhar daquilo que era imprecindível que amávamos de coração, também é cuspir no prato que comeu. É justo jogar tudo pro ar? Apagar boa parte da história? Maldizer ao invés de lembrar com saudade, com bendizeres, do tempo bom que se foi?
Paris, uma noite de agosto de 1977, escreveu Maria Callas:
" Há perdas que não nos deixam nunca, antes nos perseguem pela vida fora, acabando por atropelar-nos em repetida cadência, deixando-nos estatelados no passeio público, ou adentro das nossas portas. Há perdas, feridas, brechas, coisas que nos faltam e que não tivemos nunca, coisas que deveríamos ter tido porque são essenciais, e a sua falta nos deixa de cócoras, e lentamente mata. "




quinta-feira, agosto 06, 2015

Amizade

"Amigos bons são como os sapatos velhos. Nos são bem confortáveis, mais que os novos"

Epicuro que foi considerado por alguns como o filósofo da amizade disse uma certa vez: "De todas as coisas que a sabedoria nos oferece para a felicidade da vida, a maior é a amizade".

De fato, a amizade não nos livra dos infortúnios, das dores e da atribulações da vida. Mas ajuda demais a sairmos inteiros dessas condições desagradáveis da vida. Mas não apenas isso, como quem mais podemos comemorar aquela vitória do time preferido ou de passar no vestibular ou outras tantas situações de alegria e conquistas.

A filosofia exige que pensemos por nós mesmos, mas sem o amigo com quem dialogar como testar nossas descobertas e nossos enganos?
O amigo é que acende a luz de alerta. Nos faz pensar e por vezes nos faz escapar de divagações vazias. Nos provoca. Cuidado com aquele que em tudo concorda com você; Esse pode não ser um bom amigo.

Frase de Confucio: "Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade."

sábado, julho 04, 2015

A palavra da moda: resiliência

 Como toda palavra, seu conceito pode variar de acordo com a área em que ela é utilizada.
Advinda do grego resiliens, é na psicologia que está em mais uso atualmente.
 A Resiliência é encarada por muitos como uma capacidade de enfrentar problemas os mais diversos e sair de mente ilesa, como uma panela de pressão prestes a explodir, sem que necessariamente isso aconteça.
 Em psicologia é uma teoria recente que demonstra um conjunto de fatores presentes nas pessoas e que tenta explicar como as pessoas tem diferentes limiares de resiliência.
 Administrar emoções, controlar impulsos, ser otimista, considerar o ambiente, sentir o que o outro sente, propor ações e executar com eficácia, sair do isolacionismo e em conjunto solucionar problemas da vida, sem medo de ser feliz, constituem, em outras palavras, os pilares da aplicação da resiliência(BARBOSA-PUC -SP).
 Talvez essa teoria consiga explicar por que parcelas da população estão mais sensíveis ao estresse, outras parcelas sucumbem aos menores obstáculos, e  outras mantem-se firmes nas maiores adversidades.
 De qualquer forma, ao meu ver,  todos possuem resiliência e essa varia em todas as fases da vida, devido a todo o contexto que nos cerca, sejam fatores emocionais, ambientais, educacionais, familiares, etc;
 Diferentemente da física que conceitualmente nos diz que a resiliência é a propriedade de um dado material voltar ou não ao estado normal depois de sofrer estresse por tensão, a resiliência não nos garante que seremos os mesmos após essas tensões. Certo é que a cada momento, se resistimos, somos mudados, adaptamo-nos melhor às situações semelhantes do futuro.

  




quarta-feira, abril 29, 2015

O buraco

Estranho falar sobre algo que na verdade aparenta ser a ausência de alguma  coisa que deveria preencher outra. Coisa séria na ciência. Estudada na física(mecânica quântica), quando do estudo de estruturas cristalinas para produção de semicondutores(veja: ligações e valência dos elétrons, junções NP, etc), componentes onipresentes em todos os circuitos eletrônicos e informáticos atuais(de celulares ao mais poderosos supercomputadores). 
Ainda: na mecânica clássica, Einstein também estudou e teorizou sobre os buracos. Só que estes bem maiores que os dos arranjos de partículas e cristais: Os buracos negros. Esses engolem tudo o que passa nas suas proximidades.
Que coisa interessante é o buraco!
A partir de agora não refiro-me mais ao buraco da ciência. Cito o buraco comum presente sempre em nossas vidas.
Então o buraco nada mais é aquilo que falta ser preenchido por alguma coisa, ou que outrora, se completo, dele retirou-se, vindo assim a  ser incompleto, ser buraco.
Então apenas pense:
Viemos de um buraco. Respiramos por buracos. Comemos por buracos. Ouvimos por buracos. Excretamos por buracos. Moramos em buracos. Poeticamente falando, tudo começa e termina em buracos.  Sempre caminhamos pra saciar esse buracos.
Eles nos atormentam a cada momento.
A fome é um buraco no estômago.
A sede de conhecimento é nada mais que um buraco na alma.
Procuramos preenchê-los, mas nunca conseguiremos.
Respondemos uma questão nos surge outra.
Tapamos um buraco, mas criamos um outro.
E, no fim, todos caminham para um buraco.
Em tempo:
A incompletude nada mais é que um outro nome para o buraco.


segunda-feira, abril 20, 2015

Honestidade

Honestidade vem de Honos(ou honor), palavra grega que está relacionada à dignidade e a honra.
Na mitologia romana era o deus da justiça, honra e cavalaria.
Honestidade é o bem mais precioso(qualidade?) que o ser humano pode possuir ou adquirir.
Honestidade é uma coisa interessante. Todos buscam por ela nos outros;
Seja em familiares, amigos, colegas, mestres, etc.  Esquecem de cultiva-la. Ou se a cultivam, a ignoram na primeira oportunidade de ganhar dividendos.  
Você perderia o tempo conversando com alguém que você saiba que é desonesto?
Normalmente dizemos nossas verdades e queremos escutar como resposta as outras verdades.
Pontos de vistas podem ser verdadeiros, sendo conflitantes, contraditórios.
Dizem que existe 3 verdades: a nossa, a do outro e a verdade.
Um honesto não usa de malandragem e dissimulações.
Posso dizer até que a honestidade é viver a verdade.
Viver a honestidade de maneira ampla é muito difícil.
O contrário da honestidade é a mentira.
Ninguém gosta de ser enganado. A mágica é a arte da enganação. Mas o mágico, no seu momento de ilusionista, é honesto, pois todos sabem que o que ele faz é ilusão. O aplaudimos. Ele é o mestre da desonestidade.  Piscamos os olhos e nos engamos.
Acho que posso, sem medo de errar, dizer que quase ninguém é honesto o tempo todo. Do que falamos, em muita coisa nós acreditamos ser verdade e não são. Outras, gostaríamos que fosse e as dizemos mesmo assim.
Mas, outras tantas sabemos não ser verdade e dizemos para maquiar,embelezar,  deixar mais agradável, o que falamos o tempo todo.
 Devemos confiar no desonesto, pois sabemos que ele é desonesto.
Mas os que pensamos ser honestos, esses sim nos devem meter medo.
Deles provem surpresas.
Podemos dizer que o humano é como a pedra bruta de onde se extrai a joia rara. Por ser bruta, precisa ser lapidada ou polida. Ou seja, ninguém nasce honesto ou desonesto. Todos são submetidos a processos no que resultarão nisso ou naquilo.
Aqui a frase do poeta romano Juvenal(sec I d.c.):"A honestidade é elogiada por todos, mas morre de frio."


domingo, fevereiro 08, 2015

O absurdo

A existência do absurdo torna possível a existência das artes.
Por que arte nos chama atenção?
Alberto Camus nos intriga sobre o sentido da vida moderna. Na repetição de tarefas,  que nos prende ao absurdo, como no "mito de Sísifo".
Esse mito conta que Sísifo foi alguém que vivia a vida ao máximo, odiava a morte, porém desafiou os deuses e por isso foi condenado a executar uma tarefa repetitiva sem fim. Seu trabalho: empurrar uma pedra enorme até o alto de uma montanha, porém antes de concluir a tarefa, a pedra rolava novamente para a base da montanha. Sísifo então deveria voltar a empurrar a pedra para o topo da montanha.
O destino de um homem preso à tarefa de Sísifo não é menos absurda que a de outro qualquer, porém revela-se trágica quando esse indivíduo ganha esporadicamente lampejos de consciência sobre sua realidade.
Cada um de nós constrói a vida baseada na esperança do amanhã. Mas o amanhã nos aproxima da morte.
Nos esquecemos de viver o agora, enquanto empurrando a pedra.
Sem as artes, o mundo fica órfão da humanidade e torna-se estranho.
A arte representa a paixão, produzida pela liberdade de constatar que a vida é absurda e sem sentido.
Não há outro modo de vida feliz se não o de viver pela paixão pelo agora.



domingo, outubro 26, 2014

Conhecimento e Direito Autoral

Cognoscente, Cognoscível, Cognoscere:
Aquele que aprende, o que "está" ao alcance e possível aprender e o ato daquele que aprende, respectivamente.
Essas três palavras latinas resumem o que faz-se a base necessária para produção de conhecimento.
Eu disse resumem, mas estou sendo exagerado, pois a produção de conhecimento carece muito mais do que apenas isso. Na verdade, o conhecimento na prática é o desenrolar da história do homem como ser possuidor de razão. Não quero ver o conhecimento como algo estático que poderemos alcançar se nos esforçarmos.
Nós somos o próprio trem. O conhecimento está mais para os trilhos que nós percorremos, hipoteticamente, que a máquina em movimento. Esses trilhos foram construídos ao logo dos tempos.
Quero deixar claro com isso que acredito não existir conhecimento isolado de todo o resto. Ninguém vive só a vida inteira. Portanto, aprendemos muito com aqueles que nos deram sustento enquanto dependíamos das mais básicas necessidades. Das atividades mais simples às mais complicadas, o conhecimento "renasce" de conhecimento anterior. Ninguém abandona por completo o que sabe ou o que acredita para aprender ou passar a acreditar completamente em algo novo.
Isso leva-me a concluir que não podemos ser donos do conhecimento e esse não deve ser considerado propriedade de alguém ou de alguma instituição. Podemos acumular informações sobre modos, meios, tecnologias, mas não podemos comportar em algum lugar todo conhecimento do mundo. Cada um de nós produz conhecimento, cada qual a sua maneira. Nossas próprias experiências de vida são tão importantes quanto todos os livros do mundo. Elas também nos inspiram, fazem acender aquela luz, dão aquele estálo, fazem nascer novas ideias que parecem vir do nada.
 Produzir conhecimento não é fazer nascer conhecimento. É transformar o conhecimento que já existe.
Então como não sou dono do conhecimento que recebi, posso ser dono do conhecimento que produzi?
Não há nada mais universal que o conhecimento.
A vida é uma casa feita com tijolos da verdade,  paredes feitas de conhecimento e cujas as ideias a mantém firme.


terça-feira, outubro 21, 2014

Ética ou a falta dela

A ética como os gregos conceituavam é promovida pela razão, diferenciando-se dos costumes que são recebidos involuntariamente, assim como são também os hábitos e as tradições.
Parecida com as leis, posto que muitas dessas foram originadas nas discussões sobre a ética que os grupos sociais que as estabeleceram travaram, a ética dessas diferencia-se pelo fato de não poder ser obrigatório o seu cumprimento. Às leis podem escapar assuntos contemplados pela ética ou não.

De onde podemos concluir que costumes, tradições, hábitos, etc. podem ser lícitos, porém ser antiéticos para sociedade que os estabeleceu. Assim como procedimentos éticos podem não estar respaldados pelas leis dessa mesma sociedade.

Pode-se estudar de inúmeras formas a ética do ponto de vista filosófico. O que não é plauzível dizer é que alguém não possui ética.
Ou seja, cada qual possui a sua ética, mesmo que seja um ética boa ou que seja uma ruim; Mas todos possuem ética.
Quem tem juízo tem ética.


sexta-feira, outubro 10, 2014

A vida caminha contra a causalidade. Nada mais.

A realidade é esquisita. A ela pertencem dois reinos: o do acaso e o da causalidade.

O acaso: Algo acontece sem que exista evento anterior que o cause.

Como pode alguma coisa acontecer com ausência de causa?
Esse é o acaso.
Atualmente diz-se isso do decaimento radioativo, emissão de um fóton por elétron energizado e outros fenômenos estudados pela mecânica quântica.
Em nenhum momento podemos prever quando e de que maneira poderão ocorrer.

 Qualquer evento o qual, se repetidas as condições iniciais, produz sempre efeitos diferentes e imprevisíveis é considerado um acaso perfeito.

A Causalidade:  "Se não A então não B".
Um evento somente ocorre se um evento anterior tenha sido causador.

A cadeira de madeira tem como causa o carpinteiro. A luz do sol tem como causa o Sol.
Deterministas buscam na lógica o entendimento de tudo que acontece. A compreensão do relacionamento entre eventos do passado, no presente e do futuro, determina o que se chama de inteligência.

Então o Acaso e Causalidade andam de mãos dadas atualmente. Mãos emaranhadas por assim dizer.

terça-feira, outubro 07, 2014

Partidas Dobradas

Luca Pacioli, monge e matemático italiano(século XV), pai da contabilidade moderna, quem sabe, inspirou (três séculos mais tarde) Antoine Lavoisier ao qual se credita a frase poética: "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
   Aqueles que estudaram um pouco a contabilidade conhecem bem o método das duplas entradas, mais conhecida como Partidas Dobradas. Esse método diz que em toda transação que uma empresa faz ela apenas está modificando seu patrimônio. Ou seja, se algo vai, um outro algo vem em compensação.
Exemplifico: Uma empresa ao adquirir um bem à vista(ferramenta, por exemplo) usa dinheiro do seu caixa escrevendo essa saída de espécie em uma conta(caixa) e a entrada do valor daquele bem(ferramenta) numa outra conta (bem imobilizado). Então fica assim: conta caixa sai $10,00(lança-se um débito) e em contrapartida entra na conta do imobilizado $10,00 (lança-se um crédito). Os débitos e créditos em suma se anulam.
Ora, na natureza também é assim. Não podemos criar água, se não modificar a organização das coisas, como nesse caso moléculas de oxigênio e hidrogênio, unindo-as formando moléculas de água. Dessa forma também intuiu Einstein com sua E=mc² (Energia é igual ao produto da velocidade da luz ao quadrado pela massa). Essa equação resumindo nos diz que a matéria pode transformar-se em energia e vice-versa. Não há perda. A mecânica quântica não nos diz algo diferente. Ou seja, tudo o que existe se conserva.

Isso mesmo "contabilmente" falando o universo é, em suma, o que sempre foi. Apenas moveu-se, modificou-se.

Agora me diga, não parece partidas dobradas a seguinte frase:
"A soma das massas dos reagentes é igual a soma das massas dos produtos"?
 É aquela mesma frase anterior não tão poética assim.

 

   

sábado, setembro 20, 2014

Possuir ou tomar conta

Meu ou seu? de quem?

“É meu aquilo a que estou ligado e que seu uso por parte de outrem sem meu consentimento me prejudicaria.” (KANT, 2003, p.91)

Como a filosofia de Immanuel Kant nos diz, a posse não está resumida para as coisas físicas, mas também a coisas que não estão em nosso poder. Assim é explicada a ofensa que sentimos ao vermos outrem usar algo nosso sem nosso consentimento.
Ora, para evitar ofensa fez-se necessária a construção de uma sociedade que em sua organização esteja a base de regulação do uso das coisas, em que cada um reconheça a titularidade de cada coisa de forma recíproca. Logo, deve-se encontrar uma regra geral e universal traduzindo essa relação em condição civil.
O conflito nasce do desejo de posse da coisa que a  nós não pertence e resulta na contrariedade do direito de posse daquele que a possui por direito. 
Imagine agora um indivíduo ao qual é dada a tarefa de possuir um objeto com a condição de que essa posse exista até o momento em que o verdadeiro proprietário venha  a tomar posse em definitivo.  Ou seja, estará incumbida essa pessoa de tomar conta, seja guardando ou utilizando, porém mantendo a integridade daquele objeto, até que possa haver a passagem em definitiva do poder de usufruir daquele objeto. A melhor política nesse caso é cuidar para que seja preservada a integridade já que aquilo a que nos referimos é individualmente nosso apenas pelo tempo que passará sob nossa guarda. Terei, então, sob minha responsabilidade, todo o cuidado para manter a sua íntegra de existência.




segunda-feira, setembro 15, 2014

Liberdade

O dicionário nos diz que liberdade significa o direito de agir por seu livre arbítrio, de acordo com sua própria vontade, desde que não prejudique outras pessoas.  A filosofia nos diz que liberdade é ter independência, ser espontâneo.
A liberdade parece ser utópica, ou seja, uma ideia que somente existe em nossa imaginação.
Se ser livre é mover a si com sua própria vontade, e se nada além provoca o movimento do ser livre pra que lado ele mover-se-ia? Como na prática o ser é movido pelo que o cerca: seja pelo que ele vê, sente, ouve ou deseja e todo e qualquer estímulo externo colabora pra o desejo, então a liberdade depende desses estímulos sensitivos. A priori o ser vai sendo formado imerso com o que o influencia no seu tempo de vida. Nasce indefeso e incapaz de escolher, defender-se, suprir-se, mover-se; Pergunto: o ser não nasce livre? Seria a liberdade adquirida com a maturidade? com o conhecimento? com a experiência? Então a liberdade é influenciável?
Se é influenciável, não é liberdade...