Esse Blog objetiva apenas juntar retalhos de reflexões pessoais do autor sobre assuntos os mais diversos. Não tendo caráter científico, pode vir a conter incoerências. As informações deverão ser corrigidas logo que sejam percebidos erros; Quanto às ideias, podem ser sempre repensadas.
domingo, março 26, 2006
Uma pergunta: onde estavam os protestantes da Alemanha quando da ascensão do nazismo?
Sabe-se que na segunda guerra foram perseguidos os judeus, assim como diversas minorias consideradas impuras, como os ciganos e os testemunhas de Jeová.
É sabido que a Igreja Católica Romana apoiara o partido nazista em 1933. Sendo traídos pelos próprios nazistas um ano depois com a proibição das atividades de comunidades católicas.
Sabe-se também que em 1937 os hitleristas procuraram dominar através da associação dos ‘Cristãos Alemães’, nazistas convictos, disposta a ‘acomodar’ as Escrituras ao credo nacional-socialista, expurgando-as de tudo que pudesse recordar o judaísmo, o anti-racismo, etc. Sob a direção de Martin Niemoller (que, em 1937, foi internado num campo de concentração), a maioria dos pastores luteranos protestou.”
Mas nada mais que protestos. Quase nada se tem em informações sobre o papel das comunidades protestantes na Alemanha por aqueles dias.
Onde estavam, então, os auto-proclamados mais esclarecidos e conhecedores da Verdade cristã?
Ei de me inteirar mais sobre esse assunto. O que me parece é que foram eles também dominados pela insensatez que permeia a alma humana quando está pobre e sem sede por liberdade.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Defendendo o realismo
Situação hipotética:
Meu jeito de enxergar a realidade
Tomemos como exemplo da realidade existente o fato de que existem planetas extra-solares(exosolares):
Até bem pouco tempo atrás, planetas exosolares eram apenas vislumbrados como possibilidades e probabilidades matemáticas apontavam para que existissem. Foram percebidos recentemente, em cálculos matemáticos feitos por cientistas que observaram irregularidades em movimentos de estrelas não muito distantes de nosso sistema solar. Irregularidades essas que somente poderiam ser explicadas pela presença de algum corpo, até então, invisível diretamente aos instrumentos de pesquisas. Em 30 de Abril último, um desses corpos foi fotografado pela primeira vez, segundo o jornal especializado Astronomy and Astrophysics e com matéria publicada na BBC Brasil.
Conclui-se desse modo que a realidade da existência desse planeta era apenas especulativa mas que tornou-se um fato objetivo mediante uma busca científica intensa para materialização dessa realidade perseguida.
A ciência empreende uma incessante busca cujo objetivo é aproximar-se da realidade absoluta mas entende que há um limite e que não pode alcançar essa meta, o que resultará num extremo ideal que é a verdade objetiva.
O que é ciência?
A palavra ciência vem do latim cientia, derivada de scire, conhecer.
Poderíamos dizer que Ciência é a tentativa ou processo dinâmico de busca do entendimento da verdadeira realidade percebida, por seres conscientes, de forma geral e de maneira sistematizada, mas que normalmente é aplicada sobretudo de modo organizado em experiência sensorial objetivamente verificável, fazendo uso da razão.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Ciência, por quê?
Descobre o que está ao seu redor, que não está sozinho e que há fontes de prazer com os seus sentidos;
É também "apresentado" bem cedo a dor ou a algum tipo de desconforto ou privação;
É submetido aos perigos do ambiente em que vive;
Faz descobertas subjetivas sobre a realidade que o cerca;
Faz experimentações no intuito de testar aquelas pequenas descobertas, que para ele são grandiosas e, assim, descobre ainda mais coisas sobre sua realidade.
Fico maravilhado quando paro pra pensar sobre a capacidade de assimilação, memorização e criatividade que tem uma criança seja ela de qual idade for. A criança é uma investigadora. A tudo observa. Quer pegar. Para ela tudo parece ser fonte de prazer. Mas ao mesmo tempo é origem de conhecimento o qual ela precisará cada vez mais ter pra pode ir lidando com as novidades que a cada dia surgem em sua vida. Parece ser muito difícil conceituar inteligência de forma definitiva, porém não devemos negar que qualquer conceito tem que passar pela capacidade principal que faz o ser humano um ser inteligente: a competência em aprender, assimilar o que foi aprendido relacionando-o a outros conhecimentos e em seguida sendo criativo.
É a pergunta que leva o homem até a realidade.
A criança faz perguntas. É a sede do saber. E quando a respostas já não a satisfazem, ela vai em busca de suas prórpias respostas. Talvez aí, começando sua maturidade.
O senso comum está presente na ingenuidade de uma criança. Quando se busca algo além do senso comum aparece aí uma necessidade imperiosa de mais precisão nas informações. Essa necessidade leva-nos ao que chamamos comumente de ciência.
Para estar ciente e não apenas consciente da realidade que o cerca, o homem tende em não aceitar o mundo como ele é apresentado a si por contemporâneos e também por seus antepassados. Se assim não o fosse, não haveria o progresso na aquisição de conhecimento sobre tudo o que existe.
Por que um batom é um batom? Por que a lua tem fases? Por que a mulher tem suas "fases"?
Por que existe o azul, o preto ou todas as outras cores?
Como resolver algo que me aflige. E como ser rápido nisso?
Para cada resposta existe um caminho a percorrer. Nem sempre chegar a conclusões e soluções é fácil.
Se fizermos uma analogia, aquele que busca conheciento é um atleta. Há atletas que não conseguem transpor certas barreiras. Mas há um grupo especial de atletas que consegue vencer as barreiras sem grandes dificuldades. Assim são as pessoas que se dedicam a estudar a realidade que os cerca.
A ciência nasce necessariamente na pergunta e vive da inconformidade da resposta.
Buscar na ciência é tentar responder com a verdade mais precisa.
A ciência é, em sintese, a busca pela resposta.
Há ciência porque queremos a resposta verdadadeira.
sábado, janeiro 21, 2006
Inteligência Artificial
Me refiro a artificialidade do conceito de inteligência normalmente usado no dia-a-dia.
Quando falamos sobre inteligência estamos normalmente nos referindo ao QI. Presume-se que o qanto maior o QI, maior a inteligência.
Quero me focar agora na intligência humana.
Pergunto o que é inteligência?
Antes de responder lembremos de algumas palavras que estão intimamente ligadas à inteligência:
pensamento, concepção, compreensão, discernimento, juízo, raciocínio, talento, apreensão, percepção e conhecimento, entre outras.
Comumente atribuímos a palavra inteligente a alguém que em relação a outras pessoas, ou à nós mesmos, sobressae-se em algum tipo de atividade, tarefa ou trabalho. Alguém que memoriza com grande falicilidade números, nomes, etc, ou que tem facilidades para analogias ou para matemática, litura, escrita, artes, etc, poderia com frequência ser chamada de inteligente.
Mas como pode a inteligência ser medida?
Toda medida é relativa. Não podemos medir algo sem termos uma medida padrão.
Ora, se a inteligência é uma capacidade do ser humano, somos levados a conclusão que teremos que comparar capacidades de uns humanos em relação a outros.
Mas como comparar se cada um de nós somos tão tão diferentes com relação a idade, experiências vividas, conhecimentos científicos, crenças, medos, pré-conceitos, etc?
Partamos da seguinte situação:
Um indivíduo está a caminhar de sua casa no campo ate uma determinada localidade, trajeto que o mesmo nunca fez, e encontram uma bifurcação logo adiante em seu caminho.
Qual o caminho escolher? o da direita ou o da esquerda?
Como utilizar a inteligencia nesse caso?
Numa situação nova onde é exigida uma esolha o ser humano pra o desconnhecido, somos levados procurar na memória por uma situação parecida pra poder reagir a essa nova situação. Recorremos à experiência adquirida. Mas o que nos garante que a escolha ainda assim seja a correta?
As chances de acerto são de 50%. Como ainda assim não há garantias de acerto, tentamos aumentar nossas chances recorrendo à análise de indícios que podem nos levar ao acerto na escolha. Nessa situação, por exemplo, poderíamos observar as marcas no solo feitos por automóveis ou por outras pessoas que poderiam ter passado recentemente e deixado suas marcas ou pegadas.
Havendo essas marcas, concluímos, com a ajuda da lógica, que o caminho para a cidade pode ser aquele que é utilizado com mais frequência e que portanto tem mais marcas.
Porém, ainda assim não temos certeza de acerto. No entanto, teremos que fazer a escolha.
Nós temos a capacidade de reagir a esses desafios do desconhecido usando a memória, coletando informações sobre o momento em que acontece a situação, sobre o que nos cerca
Sabe-se de antemão que os dois caminhos levam ao mesmo destino, porém a topografia por onde passa cada uma das estradas difere entre si. Nessa há um rio que deverá ser transposto à nado.
Na outra estarda há uma planície num deserto, porém esse caminho é o mais longo.
sábado, dezembro 31, 2005
Felicidade
Eu pensei que já soubesse o que é felicidade. Que espanto não foi o meu ao pesquisar na enciclopédia o termo felicidade e encontrar além do habitual significado de alegria ou sentimento de prazer, um outro que nos remete aos princípios da civilização, mais precisamente na mitologia romana. Essa nos conta que a felicidade é uma divindade alegórica, representada na figura de uma rainha em seu trono, tendo um caduceu(um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo, cuja imagem pode ser vista na taça do rei Gudea de Lagash, 2.600 anos a.C., e sobre as tábuas de pedra denominadas, na Índia, nagakals. Também é um símbolo moderno das ciências médicas e contábeis.) em uma das mãos e cornucópia (abundância dos anteriores) na outra.
Vejo nessa simbologia romana algo que muitos buscam em suas vidas até os dias de hoje.
Essa tal felicidade que, para os antigos romanos era representada pelo trono ocupado por alguém que ostentava em suas mãos os símbolos de tudo que buscamos, seriam: saúde, posses(inclusive dinheiro e poder) e a abundância desses.
Então vemos que o conceito de felicidade modifica-se de acordo com o freguês. Mas podemos ver o ponto comum que é com o preencher das aspirações e necessidades que somos levados ao caminho para a felicidade.
Pesquisando encontrei um citação significativa de Jean-Jacques Rousseau:
A felicidade pra mim é imperceptível externamente. Ela está dentro do coração(sentido figurado) do ser humano. Podemos ou não, ver sinais de sua presença. Sorrisos que podem demonstrar alegria ou contentamento, o modo de falar, o olhar de quem a efetivou, a postura, a vontade de viver, etc.
Projetar para o futuro felicidade é loucura, como diz Rousseau, mas ainda não há nada melhor que ser feliz.
Há felicidades momentâneas e coletivas, como na conqusita de uma Copa do Mundo ou do fim de uma guerra. O que era tristeza ou apreensão torna-se o mais puro e espôntaneos dos sentimentos.
Rápida e intensa como o sexo(ou esse faz parte dela?), a felicidade passa, mas a nossa busca por mais felicidade é que nos prende à vida.
A felicidade perpétua não parece estar guardada para os pobres iludidos mortais.
Na atualidade (ou isso já acontecia antes?), a felicidade é utilizada para legitimar todas as nossas ações.
Até parece que em seu nome é justo trangredir todas as normas e regras que permitem a harmonia da convivência entre os indíviduos. A felicidade individual nunca deveria sobrepujar a felicidade coletiva.
Há uma máxima que é muito ouvida por todos os cantos:"Se você é feliz, tudo bem..."
Arthur Schopenhauer escreveu:
"...ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade ..."
Muito pelo contrário dele, penso que a felicidade depende também da convivência do indivíduo com os seus pares.
Poderia um indivíduo ser feliz em absoluta solidão?
Sozinho o ser humano encontra-se vivo, mas não vive.
Compartilhar, trocar, receber, doar são ações que inexistem na ausência de outro semelhante.
Quando alguém toma algum objeto, bem ou pertence, de alguém não é exatamente o objeto que ela quer tomar para si, mas a sua aparente felicidade representada naquele objeto, a qual ele sente que lhe está em falta.
Seria o ladrão realmente feliz?
O ladrão vai em busca do ouro de tolo. Esse nenhuma valia terá para ele. Esse ouro é a água que não sacia.
Possivelmente constatar-se-á nele uma aparente contentação que, no entanto, não tarda a desaparecer.
Já aquele do qual foi subtraído o objeto, não perderá a sua felicidade, mesmo que esse bem venha a fazer falta. Pelo contrário, essa falta será o motivador para ir em busca da substituição do bem perdido, batalhanado e conseqüentemente podendo conquistar até mais do que o precisa, o que trará para si mais felicidade.
Nenhum objeto material porta a felicidade. Então, o que é e onde está a felicidade?
Não há frase que resuma a felicidade.
A mim parece que a felicidade consiste exatamente em haver algo desejado e degraus pra galgar e a possibilidade de atingir esse objetivo desejado quando do fim dessa empreitada.
Vencer pequenas batalhas parecem trazer mais felicidade que vencer uma grande guerra e não ter mais pelo que batalhar.
É feliz aquele que transofrma sua realidade da forma que deseja e faz, também, feliz os que o circundam.
Ou seja, aquele que transforma a sua própria realidade tornando a si e outrem feliz e permite que os próximos a si também transformem as suas realidades da forma que desejarem fazendo outros felizes, e assim por diante, será feliz.
Novamente: a felicidade de um depende da felicidade dos outros.
Caminhar em sentido oposto a isso é procurar ser infeliz e fazer infelicidade.
A felicidade depende da entropia. Porém, essa é uma outra forma de verificar isso.
Outra: felicidade é procurar o difícil, pois o fácil já está nas mãos.
quarta-feira, dezembro 14, 2005
A vida é uma órbita
O certo é que o destino prega-nos peças aqui e acolá.
Em matemática chama-se tangente a uma linha, normalmente reta que toca uma circunferência em um só ponto.
Em astronomia existem corpos que orbitam o sol, possivelmente tamb[em outras estrelas, chamados de cometas. Esses passam periodicamente próximos ao astro rei e mantêm-se perto sem tocá-lo por algum tempo de sua órbita. Mas esse tempo de aproximação é , normalmente, muito curto. Normalmente dias ou poucos meses até que sua órbita o leve pra bem longe. Sua órbita na maioria das vezes o traz de volta muito tempo, anos décadas ou até séculos, depois. Tudo depende da órbita(caminho) que esse é levado a perfazer em torno daquele.
Comparo o nosso encontro com outras pessoas durante a vida, com as coisas da matemática ou astronomia. Diferentemente da tangente que vem do infinito e toca a circunferência, seguindo infinito adiante, a órbita do cometa, sem tocar, segue o percurso de uma elipse, que ora o deixo bem próximo, ora bem distante do sol. Nem tanto a tangente, mais ao cometa que por pouco tempo pôde admirar o sol, mesmo quando esse o aquece, derrete, tira um pouco do seu ser(massa) e acrescenta mais calor a esse. Logo após, o cometa já não será tão frio.
O cometa segue, mesmo que modificado. Entretanto, já não é mais o mesmo cometa!
Somos como o cometa ou como o sol, depois do contato, ou proximidade com outras pessoas, já não somos mais os mesmos.
Cruzamo-nos nessa existência como o caminho percorrido por um cometa ou até como tangente da matemática, que chega a contactar a circunferência. Contudo, logo seguirão cada um o seu rumo. Levamos deles coisas que não esquecemos, outras que nem percebemos. Talvez veremos a vida de uma forma diferente. Melhor?
Quiçás, seja esse o sentimento de que falam os poetas, que poderemos sentir com esse tipo de aproximação.
Podemos nos arrepender de desejar certas coisas. Mas, a mim parece que não há porque arrependermo-nos de amar.
O que é a felicidade se não é fazer alguém feliz?
Não está aí a retribuição?
Não existe felicidade egoísta.
Se quem amamos também nos ama, como no Lego, o encaixe está perfeito.
Pelo pouco que experimentei, penso que a arte de viver tranqüilo está em compreendermos que nem tudo está sob o nosso controle.
Compreender a imperfeição das pessoas e a nossa, saber que somos cada um tomados por desejos e tentações, vontades de experimentar o que nunca foi a nós permitido.
Então quando a vida segue seu rumo, matenhamos a motivação para perseguir o que desejarmos e sonharmos.
Nós não somos obrigados a sermos os melhores, como pregam os capitalistas. Então, não nos cobremos o impossível, não obstante, temos que fazer o melhor que pudermos.
Se somos faxineiros, que tal procurarmos deixar tudo limpinho? Na área da justiça, obrigação de procurar a verdade. A isso chamam dedicação.
Ou seja, fazer bem feito e com consciência tranqüila.
Carinho, esperança, compreensão, paciência, etc. Coisas que o amor pode nos fornecer. Temos que cultivar isso. Não podemos buscar as coisas desse mundo como o principal obejtivo. Fama, dinheiro, sucesso profissional, etc, são importantes, mas não nos farão mais felizes se já não formos. Será que essas coisas valem a felicidade pessoal?
Valem a felicidade dos filhos?
Valem nossa prórpia felicidade?
Temos que buscar essas coisas mas para o engrandecimento de toda a criação e, conseqüentemente, do nosso ser.
Temos que ser nós mesmos.
Não devemos viver de interpretar papéis na vida. Se já nos é tão difícil ser nós mesmos, ser um outro diferente, do jeito que as pessoas querem que sejamos, ainda dá mais trabalho e nos anula.
Não nos desviemos das sabedorias que aprendemos na vida. Procuremos a verdade. Cada qual deve saber muito bem onde a procurar.
Não percamos a simpliciade de criança, mesmo que o mundo a queira mudar. Mesmo que todos desejem nos embriagar com fantasias, não podemos perder a nossa essência. Tomemos cuidado, pois, com as ilusões.
Dependendo do caminho que sigamos, quem sabe seremos o cometa voltando pra admirar o astro rei, ou a rainha...
segunda-feira, dezembro 05, 2005
As diferenças entre amor e paixão
A mim não cabe a tarefa de especificar ou quantificar essa diferença.
Quero apenas tentar traçar as mais notáveis características que marcam essa diferença.
Para que o que eu disserte tenha sentido, admitiremos, em princípio, que a paixão e o amor existem.
A palavra paixão vem do termo latino passione, que queria dizer sofrimento.
Na wikipedia encontramos a definição de Paixão como um sentimento de ampliação patológica do amor. Na paixão, o enamorado projeta a sua personalidade no ser amado e se perde nele, como se aquele fosse um pedaço seu que foi embora. O acometido de paixão perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre ele. É um sentimento doloroso e patológico, porque , via de regra, o indivíduo perde a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio.
Sendo assim, a palavra paixão nos lembra martírio, o que, em suma, não parece ser uma boa ou saudável coisa.
Ao amor dá-se, desde a grécia antiga, um significado mais nobre. Ao chamar o amor de ágape(há outras palavras no grego para amor), os gregos referiam-se a um sentimento desprovido de interesse do tipo que se tem, ou se deve ter, por outra pessoa, seja pessoa amiga ou inimiga.
Comparo a uma rua de mão única.
O amor, nesse sentido, é uma ligação só de ida do presente com o futuro.
A paixão é uma rua de mão dupla: O apaixonado emite e recebe de volta o reflexo do que projetou e vê apenas o que quer ver naquela pessoa. Por isso, nesse caso, o outro nos parece perfeito.
A paixão nesse sentido é uma ligação com o presente e apenas com o presente. Ao apaixonado o que importa é o agora.
O amor é o "ser-se feliz" em outra pessoa. É ser feliz quando a outra é feliz.
O apaixonado que ser feliz e o objeto de sua felicidade é o outro.
A paixão aparece rápida como o raio que corta o céu. Na paixão o outro não pode falhar. Ele é e deve cotinuar perfeito.
O amor é construído aos poucos e continua crescendo mesmo quando os outros falhem. Há um nível de tolerância admirável.
A paixão pode ser um meio de uma pessoa conseguir algum objetivo da outra pessoa como segurança, carinho, sexo, etc
Na paixão pode-se usar o artifício de máscaras (papéis) pra que se agrade sempre o outro e não o decepcione nunca.
No amor há autênticidade, não há medo de mostrar a imperfeição.
Na paixão nem sempre as afinidades são fortes e definitivas.
Para quem ama, o relacionamento como um todo é mais importante que particularidades da relação como o sexo, saúde ou finanças, etc.
segunda-feira, novembro 28, 2005
O que quer realmente a mulher?
Recontada por Robert Johnson em seu livro Feminilidade, Perdida e Reconquistada. A questão central é a pergunta : o que realmente quer uma mulher?
" Arthur quando jovem foi apanhado caçando ilicitamente nas florestas do reino vizinho, sendo aprisionado pelo rei. Ele podia ter sido morto imediatamente, pois este era o castigo por transgredir as leis de propriedade e de posse. Mas o rei vizinho, comovido pela juventude e simpatia do rapaz, ofereceu-lhe a liberdade com a condição de que encontrasse a resposta para uma pergunta muito difícil no prazo de um ano. A pergunta: Que realmente quer a mulher? Isto atordoaria o mais sábio dos homens e parecia insuperável para o jovem. Era melhor, porém, ser enforcado, e assim Arthur voltou para casa e se pôs a perguntar a todos que encontrava no caminho. Prostituta e freira, princesa e rainha, sábio e bobo da corte, todos foram inquiridos, mas ninguém conseguiu dar uma resposta convincente. Cada um deles avisou, no entanto, que havia uma pessoa que saberia a resposta, a velha bruxa. O custo seria muito alto,pois era proverbial no reino que a velha bruxa cobrava preços exorbitantes por seus serviços.
Chegou o último dia do ano e Arthur finalmente viu-se obrigado a consultar a velha. Ela concordou em fornecer a resposta satisfatória, mas o preço deveria ser discutido primeiro. E o seu preço era casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da Távola Redonda e o amigo íntimo de Arthur. O jovem fitou a velha bruxa horrorizado : ela era horrorosa, tinha um dente só, cheirava tão mal que enojaria até um bode, emitia sons obscenos e era corcunda. Enfim, a criatura mais detestável que já vira. Arthur tremeu diante da perspectiva de pedir a seu grande amigo que assumisse este terrível fardo por ele. Mas Gawain, ao saber do trato, assegurou a Arthur que isto não era pedir demais para salvar a vida de seu companheiro e ainda preservar a Távola Redonda.
O casamento foi anunciado e a velha bruxa revelou sua sabedoria infernal : "Sabe o que realmente quer a mulher ? Ela quer ser senhora de sua própria vida! Todos reconheceram na hora a grande sabedoria feminina e o Rei Arthur estava salvo. Ao ouvir a resposta, o soberano vizinho sem hesitar concedeu-lhe a liberdade.
Mas e o casamento? ! A corte toda presente, e ninguém estava mais dividido entre o alívio e a tristeza que Arthur. Gawain portou-se com cortesia, delicadeza e respeito. A velha bruxa exibia o seu pior comportamento, devorava a comida do seu prato com as mãos, emitia horrendos grunhidos e cheiros pavorosos. Até então a corte de Arthur jamais se havia sujeitado a tamanha tensão. A cortesia prevaleceu e o casamento se realizou.
Puxaremos uma cortina de prudência sobre a noite de núpcias, com exceção de um momento espantoso. Quando Gawain, preparado para o leito nupcial, esperava sua noiva, ela apareceu na forma da moça mais linda que um homem pudesse desejar! Gawain estupefato perguntou o que tinha acontecido. A moça respondeu que como Gawain a tinha tratado com gentileza, ela lhe mostraria sua aparência horrenda durante a metade do tempo e sua aparência graciosa na outra metade : qual delas ele escolhia para o dia e qual para a noite? Que pergunta mais cruel a ser colocada para um homem! Gawain fez os cálculos rapidamente. Será que ele queria uma linda jovem para mostrar durante o dia , quase todos os seus amigos a veriam, e uma bruxa horrenda à noite na privacidade do seu quarto, ou queria uma bruxa durante o dia e linda nos momentos íntimos? O nobre Gawain respondeu que preferia que sua noiva escolhesse por si mesma. Com isto, ela anunciou que seria a bela donzela para ele tanto durante o dia como de noite, já que ele demonstrara respeito por ela e concedera-lhe soberania sobre sua própria vida."
quinta-feira, novembro 17, 2005
A morte
-Há uma crendice que diz...
Se vc escutar chamarem e não for ninguém, não responda.
É a Morte lhe chamando... se vc responder, já viu...
-que ela nao atrase nem um minuto
que venha na hora certa
por que o mundo sem a morte... está morto
-exato... a morte é quem dá sentido à vida...
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Não existem duas coisas que mais inquietem a humanindade:
A vida e a morte.
As filosofias oriental e ocidental, por todos os tempos, têm tentado capturar a essência dessa certeza.
Uma Visão Chinesa de Imortalidade:
"O conceito de vida eterna não tem nada a ver com ansiedade pela vida.
A verdade é que não há morte de fato.
Como é possível não haver morte ? Porque ,na verdade, existe não duas, mas uma única energia, uma força motriz que a tudo permeia, na raiz das atividades de nossas vidas. O Grande Vácuo, que é o ponto em comum de toda vida , já existe, e a vida nasce continuamente em seu interior. Então, qual a necessidade da vida ou da morte ?
É porque o nosso desejo pelas coisas toma proporções indevidas que nos desorientamos e começamos a separar vida e morte. Se observarmos deste espaço de quietude e tranquilidade, veremos que nunca houve vida ou morte alguma. Evidentemente há apenas uma única energia fluindo e circulando. "
Do prefácio do Can Tong Qi Shuliu , 1564 ( retirado do livro " O segredo da vida eterna ")
Segundo a pesquisadora e psicoterapeuta estado-unidense SUKIE MILLER, Os estado-unidenses na sua maioria têm uma visão confortável da morte. Mas o pós - morte não existe ou eles não pensam nele. Estão mal preparados para enfrentar o pós - morte. Ao contrário do que acontece no Brasil que, no caso do pós - morte, todos crêem em algo, sabe que algo vai acontecer e a grande maioria não acredita que tudo se encerra com a morte. Osbrasileiros, em geral, acreditam no pós - morte.
segunda-feira, novembro 14, 2005
Descobrindo o Brasil no século XXI
Se a partir de 1500 invadiram, violentando de diversas formas, voluntária ou involuntariamente, os que aqui viviam, hoje os alienígenas oriundos dos outros continentes estão vendo, finalmente, terra firme para aqui colocarem seus investimentos.
Reportagem da BBC Brasil diz que o Brasil, hoje, é o quinto melhor lugar do mundo para fazer investimentos. Isso tudo dito por um órgão da ONU(Unctad), depois de pesquisa feita exatamente com quem de interesse, que são as empresas transnacionais e especialistas no setor.
Não é difícil descobrir porque tanto interesse despertado agora. Depois de tissunamis, terremotos e furacões, parece ser mais seguro colocar dinheiro nas terras do pau-brasil. Melhor um pouco na cueca de alguém que tudo debaixo d´água.
Claro que não foi esse o principal motivador. A bem da verdade, devemos reconhecer que a economia vai bem, pois os frutos da austeridade fiscal e econômica levada a cabo pelo atual governo parece dar certo e a campanha de propaganda do país lá fora, com todas as viagens presidenciais pelos diversos continentes, despertaram algum interesse dos estrangeiros. Finalmente eles estão com olhos voltados pra cá, descobrindo que aqui tem algo mais que boas mulatas, carnaval e futebol. Com tempo, irão descobrir coisas ainda mais úteis. Quem sabe não entraremos num novo ciclo, como o da cana-de-açucar ou do café: o ciclo do bio-combustível(álcool, óleo de mamoma, etc), menos poluente e renovável. Mas há ainda muito mais coisas interessantes pra eles decobrirem. Estarão mais felizaes se descobrirem a fórmula de ser brasileiro, que a despeito de toda a violência urbana, é amistoso e sorri de jarra e panela vazias.
Quem tem olhos e quiser ver, veja.
domingo, novembro 06, 2005
A Torre Eifel pode ruir
Para entender o que acontece na França hoje, é preciso entender o que vem acontecendo com as pessoas desses países desde há muito tempo e o que as levaram a ir para a Europa.
Não dá pra simplificar em poucas palavras, mas querendo ver ou não, é fato que ainda existe uma espécie apartheid(nome do antigo regime de segregação africano) mascarado, uma separação, que sempre foi também de classes e não apenas de cor, onde os mais fortes impõem a sua democracia às pessoas menos afortunadas, independentemente de origem. A meu ver, esse problema transcende fronteiras e está presente em praticamente todas as nações. Os pobres são empurrados pra periferia, longe dos mais belos centros cosmopolitas e metropolitanos. Longe dos olhos, são esquecidos e parecem nem existir. Maldito idealismo! Novamente a realidade aparece na explosão da bomba social.
É preciso que os governos passem, sem demora, a avaliar se as suas políticas vão atendendo a todos ou somente aos números em pranchetas de burocratas.
Temo que estejamos todos caminhando a médio prazo para uma convulsão social globalizada. Fiquemos de olho na Europa.
terça-feira, novembro 01, 2005
Amo, logo existo!
Me pergunto o que faz uns serem mais fortes que outros?
Noutras palavras, o que faz uns dominarem os outros?
Por toda a história houveram seres humanos que pareciam estar à frente do seu tempo.
É fácil imaginar que pouco antes do princípio da civilização os homens viviam à mercê do caos, ou seja, onde habitassem poderia ou não haver alimentos facilmente coletáveis, condições metereológicas favoráveis, animais que não oferecessem perigo à sua sobrevivência e abrigos do relento, entre outras condições de sobrevida importantes.
Podemos dizer que eles estavam entregues à suas próprias sortes. Em algum momento eis que alguém tem uma idéia que muda a sorte a seu favor. Por exemplo, a criação de algum tipo de lança de madeira, ou outro material qualquer, para poder lutar com animais com o objetivo de proteger-se desses. O indivíduo ou grupo de indivíduos que aprendessem esse artifício logicamente que ganhariam destaque sobre os demais. Esses tornar-se-iam mais importantes, por consequência. Mas aí estou imaginando um ser humano que não seria violento e que apenas estaria mais preocupado com a sua sobrevivência e a de seus descendentes. O que parece não ser toda a verdade.
Num ambiente onde as fontes de alimento tornassem-se excassas, vejo esses seres disputando entre si o que resta de suprimento. Também, quando o macho buscava a fêmea para o sexo, deve ter enfrentado a concorrencia de outros e, para se dar bem, deve ter tido a ajuda da sorte. Ter um corpo mais bem dotado, musculoso, fisicamente mais forte, portanto, conferiria, a esse, vantagem sobre os demais. Com força, sobrepujava os concorrentes por aquela fêmea que era mais atraente e estava mais próxima desse.
Então, vejo aí, pelo menos, dois "ingredientes" importantes na aquisição do poder, do destaque, da importância: a força e criatividade. Fatores genéticos, de ambiente, modo diferenciado de vida, faixa etária, etc, podem ser considerados como principais para moldar essa sorte de ser forte e criativo. Nada é igual a nada . Portanto, esses seres diferenciavam-se entre si. Tinham vidas semelhantes, porém diferenciadas e cada qual passava por experiências distintas, confereindo-lhe graus diferentes de facilidade na execução de certas tarefas.
Começa aí a acumulação de conhecimento que, logicamente, deve ter passado para as próximas gerações pela observação, prática e aperfeiçoamento.
Tenho dificuldade de imaginar em que momento formou-se um laço de afetividade entre os entes de maior parentesco, como pai, mãe e filhos. Mas deve ter sido quando da percepção de que viverem próximos ou juntos os faziam mais fortes contra as adversidades, o que implica no início da aversão à solidão.
O primeiro querer bem provavelmente foi entre o homem e sua predileta.
Ele deve a ter escolido por algum motivo. Algo ou algumas características dela deve ter chamado a sua atenção. Mas, então tudo começou na escolha dela. Uma escolha!(razão?): livre-arbítrio.
Penso, logo existo ? ou Amo, logo existo?
Me pergunto se nesse ser já havia sentimento ou era apenas razão
-Nesse momento o tópico ficou longo e, por falta de tempo devo parar por aqui. Gostaria de voltar ao assunto em breve.
sexta-feira, outubro 28, 2005
Ser ou Estar?
Vou escrever um pouco pra ver se espanto os males. Quem canta... não! quem escreve também seu males espanta. Ou pelo menos eles vão para o papel. Corrigindo: ...vão pra o ciber-espaço...
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Diferente do que dizia o poeta, "ser ou não ser", penso, essa não é a questão.
Há escritores(Heinlein, por exemplo) que simplesmente banem o verbo ser de suas falas rápidas. Dizem que o verbo ser é o causador da maioria dos pensamentos obscuros de hoje em dia. Se tudo é transitório, por que cargas d´água insitem em usar o verbo ser?
Nada nunca foi e nem será assim como está agora.
Tudo é incerto e isso dá medo.
Como ouvi num filme: "...nem tudo é preto no branco".
As piramides estão ruindo;
As obras de arte estão se deteriorando, não importa quantas restaurações se façam. Quantas gerações mais as contemplarão?
Até nossa personalidade modifica-se irreversivelmente. Fatos acontecem e mexem consoco. E não importa a idade.
Freud preocupava-se demais com fatos relacionados ao sexo. Uma guerra, por exemplo mexe muito mais com o ser do que o sexo. Um amor também.
Algo sememlhante ao vidro estilhaçando-se quando muda de temperatura bruscamente, assim estilhaça-se o nosso ser, com mudanças bruscas em tudo que nos cerca e, principalmente, com o que nos atinge.
Mas o que nos rodeia também transforma-se lentamente e isso nos faz mudar imperceptivelmente. Nosso próprio corpo (o que mais proximo de nós está do que o corpo, veículo que nos leva pra qualquer lado e nos dá impressão de liberdade?) muda.
Então, a infância, os pais, os amigos, o clima, os amores, o sexo, os sonhos(noturnos), os sonhos(objetivos almejados), etc, contribuem pra construir o que somos nós, a cada instante, como um grande duna de areia. Mas não tarda e vem uma grande enchente e nos transporta ao estado original de pó.
Portanto, vamos estando...
quinta-feira, outubro 27, 2005
Psicologia e cura
Vi até uma controvérsia entre psicólogos evangélicos e laicos no que tange à cura para os homosexuais.
Vide: reprodução de carta no link abaixo:
http://www.psicologiapravoce.com.br/textopsi.asp?nr=734
Estava devendo essa menção e correção.
domingo, outubro 23, 2005
O eu exterior
Não sou muito de ir a shows. Não sou de idolatrar astros. Mas permito-me dizer que ele é um dos meus ídolos da música. Mesmo que seus shows não sejam mega-espetáculos. Ele faz mais o estilo de apresenções em teatro. Aprendi a ouvir suas músicas, escutando também as letras. Quiçás esteja aí a explicação para a minha admiração. A referência a ídolo quis dizer ao trabalho musical dele e também ao seu jeito simples e romântico de ser artisticamente. Nada tem haver a pessoa dele, que desconheço.
Me deparei com um senhor de mais idade. Diferente daquele jovem das capas dos Cds ou LPs de duas décadas atrás. Logo lembrei que o tempo também passou pra mim. Eu com menos cabelos, ele com já quase nenhum.
É a vida seguindo o seu curso.
Houveram dois fatos que me chamaram atenção e a todos os presentes.
O primeiro:
O jovem que no festival(concurso) de música tirou em primeiro lugar cantando uma música serteneja. Não aprecio música sertaneja, mas reconheço que ele cantou bem afinadinho. Fez por merecer os 4000 reais. Bem humilde. O fato é que ele nem havia tomado café, almoçado ou jantado no dia anterior e nem mesmo tinha o dinheiro pra poder voltar a sua cidade pra pode pegar uma roupinha melhor pra sua apresentação. Seus minutos de fama foram justos e merecidos.
Desafiou até a fome pra estar lá sonhando acordado.
Oxalá ele tenha oportunidades melhores na vida.
O segundo:
a antítese disso:
a terceira colocada, quando dos agradecimentos costumeiros que são direcionados comumente a Deus, pais, irmãos e amigos e ao público, cometeu, para mim e pra muitos dos presentes, um equívoco ao exaltar a si mesma.
Pode ter sido um descuido da inexperiência e do nervosismo ou mesmo da contrariedade de não ter atingido o objetivo por ela almejado. O que mais ou menos ela citou foi: "... quero deixar beijos e abraços pra uma das pessoas mais importantes pra mim e ,que se não fosse por ela, eu não estaria aqui: eu mesma...". Isso soa estranho não?
Levou vaias.
Fiquei imediatamente envergonhado, pois me imaginei no seu lugar e senti-me como que comentendo uma gafe daquelas, quase imperdoável. Não se pode exaltar esse nosso "eu". Penso assim!
Exteriorizar a auto-estima que, a qual temos o dever de conservar, soa o contrário da humildade. É verdade que devemos ter confiança em nós mesmos. Nos prepararmos para as batalhas da vida e saber que podemos ser capazes de vencê-las, desde que tenhamos anteriormente adquirido todos os conhecimentos e ferramentas pra executar os trabalhos que poderão nos levar a vitória. Mas a auto-estima não pode ser confundida com auto-idolatria.
A mais importante pessoa no mundo somos nós mesmos, entretanto nos reduzimos a nada sem as outras pessoas.
Não existe um 'eu" desligado do resto do mundo. Esse "eu" que chamo de "exterior" só existe na presença do outro.
Ele se funde com o nosso "eu" interior. Um não existe sem o outro.
Vejo que está fora de nós a razão do que fazemos e de nossa existência.O nosso valor vem delas e para elas deve voltar em forma de agradecimento e humildade Ninguém escreve um livro pra ler sozinho. Ninguém compra um carro novo que não seja pra mostrar a outrem. Ninguém guarda uma obra de arte para si em um porão escuro.
Pelo menos nunca conheci alguém assim. O que quero dizer é que o nosso valor quem dá são as pessoas. Precisamos inequivocamente do outro. E não adianta ser Narciso, pois estaremos fadados a definhar e morrer. Falei demais pro meu tamanho.
sexta-feira, outubro 21, 2005
Conexões rompidas
No mundo que podemos chamar de cibernético, onde cada um tem ligações com outros através de celular, e-mails, telefone, fax, etc, as pessoas nunca puderam estar tão próximas estando tão distantes.
Vemos alguém aqui estando no Japão. Podemos ver e falar ao mesmo tempo. Coisa que era apenas sonho de desenho animado nos meus tempos de criança.
Mas será que isso as faz estarem mais juntas mesmo?
O telefone permite que falem, mas não necessariamente que conversem.
A necessidade de comunicar está explicíta. Pessoas de todas as idades fascinam-se com seus aparelinhos e adoram quando o telefone toca. Percebe-se que isso as faz não sentirem-se tão sós. E, de fato, isso é o que acontece.
Eu mesmo adoro me comunicar. Sou capaz de passar horas a fio no telefone ou internet até o assunto acabar.
Até onde essa distância aproximada ou essa aproximação distanciada é boa?
Nada substitui o contato físico, o olhar no olho, o calor humano ou um abraço.
Muito menos a presença, apenas, substitui a atenção, a preocupação que se deve ter com quem gostamos.
É o que se chama de carinho?!
Quando pessoas de uma mesma família reunem-se em volta da tv estão juntas ou apartadas ?
A que distância realmente estão entre si?
Tem casas com várias Tvs. Aí sim que ficam distantes. Cada qual no seu mundinho de preferências, fechado.
Conversam entre si? Contam ou se preocupam com os problemas umas das outras?
Irmãos, pais, filhos...
Ali, pertinho e nem se falam. Nem nos comerciais.
Ah ! quando falta energia parecem que falam mais!
Voltam aos seus medos interiores. Contam estórias da carochinha ou causos da infância.
Precisamos de apagões em casa. (risos)
Sugiro que apaguem as luzes. Desliguem seus os celulares e tvs. Que os pais conversem com seus filhos. Esposa olhe um pouco pra seu marido. Esqueçam uns instantinhos o homem-amante. Vá em busca do seu companheiro, seu adão. Esposos, vejam a eva que te acompanha. Esqueça essa mulher amante. Nem sempre queremos o animal que existe dentro de nós.
Há tempo para ver cada faceta do diamante. Há hora pra cada papel.
Engana-se quem diz que o amor acaba quando acaba o sexo.
O amor acaba quando nos trancamos em nós mesmos.
O problema é que as pessoas não se abrem. Esquecem de ser elas mesmas.
Abramos os portões de nossa alma. e esqueçamos os papéis de infalíveis que representamos no dia-a-dia.
O super-homem que a todos ajuda e esquece de si mesmo, que não falha nunca e nem diz coisas erradas; a super-mãe que não pode falhar em defesa dos seus filhos, mesmo quando esses já estão barbados.
ops! Pra não ser mal entendido:
Não estou sugerindo que paremos de ser ou de procurar sermos essas coisas que muitas vezes são salutares. Mas não devemos nos travestir de uma armadura que não possuímos e que não é nossa. Temos que separar um tempo nós mesmos e para os nossos mais próximos.
Excesso de conexões, ausência de uma boa conversa
As pessoas nunca falaram tanto e nunca disseram tão pouco.
Há filhos que vivem a sonhar com pais que se preocupem consigo.
Há esposas que clamam por serem atendidas., serem vistas e não apenas olhadas.
Há homens que são desejados bem longe de casa. Incrível?! mas creio que nós já vimos algo parecido!
É a atenção(dedicação) que está em falta. Cutua-se muito o eu (Narciso de novo!)
As pesssoas se acostumam tanto com as outras dentro de casa que não as percebem circulando entre elas.
Vêem mas não as exergam. Sentem a falta quando a perda vem! E, somente aí, vão perceber que já as tinham perdido há muito mais tempo.
O fim da família, eis a arma de destruição em massa mais mortal. Destrói-se cada célula e o corpo perecerá.
O silêncio mais do que nada leva ao esfacelamento das relações entre as pessoas, principalmente na família.
Passado, presente e futuro nunca estiveram tão interconectados. Pelo menos já percebe-se isso agora. Tudo que fazemos é importante. Não desprezemos os mais corriqueiros acontecimentos. Eles influenciam também os mais importantes fatos e podem ser a gota d´água que faltava em certas circunstâncias. De novo: Não esqueçamos que tudo está conectado.
Contextualizar é perceber que um fato não nasce por si só. Nem é um parto solitário, mas faz parte de todo um agrupamento de relações, humanas ou não, interconectadas, cujas ligações são importantes para que entendamos que não estamos sós e não podemos viver sós no meio de todos.
Mais do que nunca, navegar tem exatidão. Porém, no viver não há exatidão.
Em outras palavras, como já se diz há vários séculos, navegar é preciso, viver não é preciso.
domingo, outubro 16, 2005
Pecados
Viturdes naturais(cardeais -platão): prudência, fortaleza(coragem), temperança(moderação) e justiça.
Virtudes sobrenaturais(Santo Agostinho): Fé, esperança e caridade(compaixão).
A virtude é a excelência de alguma coisa. Vejamos exemplos disso:
Uma boa faca é uma faca que corta bem;
Um bom remédio é aquele que cura;
Um bom veneno é aquele que mata.
Então, virtude nada tem haver com o que pode-se fazer com aquele objeto excelente. A faca é a mesma na mão do açougueiro ou do assassino. Ela não deixará de ser uma boa faca pelo tipo de uso.
Modificando - Virtude: tendência para a excelência.
Então qual seria a excelência do ser humano?
Analisando as virtudes que pode possuir o ser humano, veremos que elas estão intimamente ligadas e interdependentes. Difícil imaginar alguém que queira ser justo sem prudência.
Da mesma forma, ter força sem moderação seria um desastre. Ser justo sem ter força pra imprimir justiça? impensável.
Indo mais além, não consigo ter em mente alguém com esperança sem fé ou tendo compaixão sem esperança. A caridade sem esperança é comparável à esmola: um remédio paliativo. É ter pena do outro, mas sem vislumbrar um mínimo de horizonte e futuro para aquele.
Então, a conclusão é que ninguém pode ter uma dessas virtudes sem possuir as outras conjuntamente.
Quando nos faltam essas virtudes o que fica é o vazio, oposto. A rebeldia, que leva a transgressão. A ignorância da existência do outro, o egoísmo. Isso não é o que se chama pecado?
O pecado é o que leva a destruição do ser.
Tender para as virtudes é o que faz o ser humano seguir em frente, a construir e a construir a si mesmo.
A excelência é construir o todo. Mesmo sabendo que o que faz é muito pouco individualmente, a soma dos esforços, como na colméia de abelhas, produz "dividendos" pra todos e matém toda a espécie existindo.
Ser a si mesmo, ver no outro a sua imagem e semelhança, com fraquezas, mas capacidade de melhorar pode ser essa a excelência do homem. Deve ser.